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Endividada, CSN perde metade do valor de mercado na B3 em 2026 enquanto busca vender ativos

4 de agosto de 2026

Por Talita Nascimento e Cynthia Decloedt

São Paulo, 04/08/2026 – Com a primeira venda relevante de ativos chegando a uma fase decisiva nesta semana, a CSN já perdeu metade de seu valor de mercado em 2026. Endividada, a companhia vem sofrendo sucessivos rebaixamentos de agências de risco, mesmo com o CEO da empresa, Benjamin Steinbruch, dizendo e repetindo ao mercado que trabalha para desalavancar o balanço da companhia.

Em plano anunciado no início deste ano, a CSN colocou à venda participações na CSN Cimentos – admitindo negociar o controle do ativo – e na CSN Infraestrutura. Com os negócios a empresa pretende obter entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. Na ocasião, a companhia já havia vendido 11% da MRS para sua própria subsidiária, a CSN Mineração, por R$ 3,35 bilhões ainda em 2025, também na tentativa de aliviar sua situação financeira.

Desde então, as notícias mais significativas vieram do processo de venda da CSN Cimentos. A data para que os interessados façam propostas vinculantes para o ativo é nessa sexta-feira, 07 de agosto. De um lado, a Votorantim Cimentos agora tem como aliada a italiana Cementir Holding. Do outro, a chinesa Huaxin fez até aqui uma das diligências mais detalhadas das 13 plantas industriais da CSN Cimentos.

Até o momento, porém, o avanço do processo não foi suficiente para recuperar o prestígio da companhia junto às agências de risco. Na última sexta-feira, a Fitch rebaixou o rating inadimplência do emissor (IDRs) de longo prazo em moeda estrangeira e local de B para CCC+. Altas despesas de juros, despesas com capital elevadas, estrutura de capital desequilibrada e riscos persistentemente altos de refinanciamento também foram levados em conta na decisão, citou a Fitch.

“O rebaixamento reflete o enfraquecimento da flexibilidade financeira da CSN, impulsionado pela contínua queima de caixa, apesar de alguma melhora operacional”, afirma a agência, no comunicado.

Em maio, a Moody’s já havia rebaixado a nota de crédito da companhia de B2 para Caa1 na escala global, mantendo perspectiva negativa para a companhia e suas emissões de dívida. A decisão refletiu, segundo a agência, a deterioração do perfil financeiro da empresa, marcada por elevada alavancagem, pressão de liquidez e riscos crescentes de refinanciamento.

Uma forma de quantificar o risco que os credores imputam à dívida da companhia são os descontos sob os quais seus títulos são negociados no mercado secundário. Os bonds da CSN com vencimento em 2028 estão sendo negociados, nesta terça-feira, a 82,5% o valor de face. Já aqueles com vencimento em 2030 têm desconto maior, de até 69%.

Nesse contexto, o valor de mercado da empresa tem se esvaído. A companhia valia R$ 11,8 bilhões na B3 no fim de 2025 e, até o fechamento de ontem, havia decaído para R$ 5,9 bilhões. Num pico passado, em maio de 2021, a CSN chegou a valer mais de R$ 70 bilhões.

Para efeito de comparação, Gerdau e Usiminas tiveram perdas 27% em seus valores de mercado no mesmo período. Hoje, valem R$ 48,28 bilhões e R$ 8,87 bilhões, respectivamente.

Além disso, a situação de crédito da companhia tem exigido ações de mais curto prazo. A CSN, conforme antecipado pela Broadcast, anunciou uma oferta de troca de títulos de dívida com vencimento em 2028 e juros de 6,750% ao ano, em circulação no mercado internacional. A operação prevê a entrega de novos títulos com vencimento em 2030 e taxas mais altas, de 11% ao ano. A emissão deve chegar a até US$ 970 milhões e ser acompanhada de um pagamento em dinheiro de até US$ 330 milhões aos detentores que aderirem à oferta. O endividamento bruto da companhia, ao fim do primeiro trimestre, era de R$ 55,1 bilhões.

Para a agência de classificação de risco S&P, a operação deve dar fôlego à liquidez da companhia nos próximos 24 meses e auxiliar no processo de desinvestimentos. “Essa proposta não equivale a um default (calote), uma vez que o investidor não deve receber um valor inferior ao da promessa dos títulos originais e que a oferta não está sendo realizada em condições desfavoráveis”, escreve a agência.

Apesar desse colchão adicional na liquidez, a agência afirma que a CSN ainda deve prosseguir com os desinvestimentos anunciados para aliviar as pressões em sua estrutura de capital. “Nossas projeções atuais indicam que, se não houver novas vendas de ativos, a alavancagem deve permanecer próxima a 5,5x em 2026 e manter-se acima de 5,0x até o final de 2028”, escreve a S&P.

Outro ponto a ser levado em consideração, é que, em meados de abril, a CSN fechou um empréstimo com um sindicato de bancos no valor de US$ 1,2 bilhão a US$ 1,4 bilhão. Esse empréstimo tem duração de cinco anos e visa antecipar parte dos recursos que serão levantados com a venda de ativos da companhia. A própria operação de cimentos foi dada como o principal colateral da operação. A taxa de juros a ser paga pela companhia no empréstimo, no entanto, pode aumentar de forma progressiva, condição que existiria essencialmente para pressionar a CSN a vender a divisão de cimentos o mais rápido possível.

Contatos: talita.ferrari@estadao.com e cynthia.decloedt@estadao.com

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