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26 de agosto de 2026
Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior
São Paulo, 26/08/2026 – Da mesma forma que houve uma explosão nas emissões de títulos de dívida emitidos no mercado local pelas companhias brasileiras nos últimos anos, os resgates antecipados desses papéis tiveram um salto no mesmo período. Este ano, o movimento continua, mas em menor volume e concentrado nas companhias que têm caixa disponível, passando uma mensagem de que estão no controle, importante para gestores preocupados com a crise entre as empresas brasileiras, que tem levado a recordes em pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial.
Segundo levantamento feito pela Leto Capital à Broadcast, nos sete primeiros meses de 2026, os resgates antecipados de debêntures, que são os títulos mais emitidos pelas empresas, somaram R$ 39,7 bilhões, valor 36% inferior aos R$ 61,8 bilhões do mesmo período de 2025 e 22% abaixo dos R$ 50,9 bilhões de 2024. A comparação com anos anteriores mostra, porém, um mercado ainda em patamar elevado: o volume atual é 2,4 vezes o de 2022 e 3,2 vezes o de 2023, além de superar em 12% a média dos quatro anos anteriores.
Em 2026, com um cenário de rebaixamento da nota de crédito de várias companhias e a seletividade dos gestores para a compra de novas emissões, o resgate “oportunístico” cessou e se concentrou em empresas com caixa que querem se desalavancar. Entre as maiores recompras deste ano estão R$ 6,5 bilhões da Cosan, seguida pela retirada de R$ 3 bilhões da Localiza.
Entre os anúncios mais recentes de recompras, a Hapvida aprovou este mês até R$ 250 milhões na recompra de debêntures e na liquidação antecipada de uma operação de hedge (proteção), e o Assai destinou R$ 200 milhões também para recomprar debêntures.
No ano passado, os resgates de títulos somaram R$ 150,7 bilhões, depois de as empresas terem tirado do mercado outros R$ 124,2 bilhões em 2024. Esse volume foi quase o triplo do registrado em 2023. De acordo com a Leto, nos dois últimos anos as companhias aproveitaram para trocar dívida mais cara por mais barata, aproveitando a queda nos prêmios de risco, que ficaram mais baixos em consequência do excesso de ofertas de debêntures no mercado primário.
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Embora a estratégia faça parte da rotina das companhias em qualquer ambiente de mercado, entre os gestores de crédito privado o movimento é mais do que bem recebido nesse momento de grande incerteza e de baixo volume de novas ofertas no mercado. Os efeitos colaterais da retirada antecipada de papéis estão na melhora dos preços negociados no mercado secundário, que causa impacto positivo na avaliação de risco.
“Com as recompras, as companhias podem cancelar parte da dívida e se desalavancarem, melhorando percepção de risco e mandando ao mercado uma mensagem que [elas] têm caixa disponível e que estão gerindo seus passivos”, disse o diretor da área de emissão de dívida (DCM, na sigla em inglês) do Daycoval, Renato Otranto.
O sócio e gestor da Sparta, Ulisses Nehmi, observa que as recompras têm acontecido há algum tempo em um nível mais expressivo do que o histórico e que, embora ao recomprar papéis as companhias estejam tirando títulos do mercado secundário, há uma sinalização de que estão fazendo um bom trabalho. “Como gestor, preferiria que a companhia não recomprasse, mas, ao mesmo tempo, se ela não recomprar eu vou achar que não estão aproveitando uma oportunidade, porque ela tem de reduzir o custo”, diz. Segundo ele, praticamente todas as emissões mais antigas estão num nível favorável de preço para haver a recompra.
O sócio e gestor da Valora, Daniel Pegorini, acrescenta que as empresas normalmente usam excedente de caixa ou tomam recursos com esse propósito, de alongar e baratear uma dívida. “Toda a vez que há queda de preço o movimento de recompra é maior. A estratégia é ter um custo menor na sua dívida, o que estruturalmente é positivo para a empresa”, acrescenta.
Contato: cynthia.decloedt@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com
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