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25 de agosto de 2026
Por Felipe Frazão, do Estadão
Brasília, 25/08/2026 – Escolhido por Donald Trump como futuro embaixador dos Estados Unidos no Brasil, o ex-presidente da Câmara de Deputados da Flórida Daniel Perez, do Partido Republicano, negou que pretenda se envolver com as eleições presidenciais no País.
Questionado sobre a disputa eleitoral, Daniel Perez repetiu um argumento recente do Departamento de Estado e afirmou, em entrevista a uma TV local da Flórida, que “vai trabalhar com quem vencer as eleições” brasileiras.
“Não há qualquer envolvimento da minha parte em relação às eleições no Brasil”, afirmou o embaixador nomeado por Trump e já aprovado pelo Senado americano, que ainda não pode exercer suas funções por falta de consentimento do governo Lula. “Quem quer que saia vitorioso, imagino, será o líder do Brasil, e será com essa pessoa que eu trabalharei.”
Ele concedeu entrevista, veiculada no domingo, dia 23, ao programa This Week In South Florida, do canal Local10.
Perez frisou: “Quanto às eleições no Brasil, isso cabe aos brasileiros decidir, e quem quer que eles escolham como vencedor será a pessoa com quem trabalharei”.
Autoridades do Departamento de Estado, liderado pelo secretário Marco Rubio, figura política historicamente hostil a Lula e à esquerda latino-americana e próxima do bolsonarismo, indicaram também que pretendem respeitar o resultado de eleições “livres e justas”.
Perez deve se juntar à equipe diplomática do Departamento de Estado, mas ele não receberá a aprovação de seu nome até o resultado das eleições, segundo o presidente Lula.
Como represália à demora, motivada por razão política, o governo Trump revogou parcialmente o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, uma decisão sem precedentes na história.
Para integrantes do governo brasileiro, há uma tentativa indevida de ingerência nas eleições por parte do governo trumpista, para favorecer o principal rival na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Durante a entrevista, Perez também afirmou que o interesse da economia americana permanece como prioridade número um, ao ser questionado sobre como conduziria a negociação tarifária com o governo Lula.
“É claro que eu quero diplomacia, que nossos países se entendam bem. Mas tenho a missão de garantir que os Estados Unidos estejam em uma situação melhor amanhã do que estão hoje. E parte disso envolve a economia. Acredito que há espaço aqui para que ambos os países saiam ganhando”, afirmou Perez.
Perez repetiu que os EUA aplicaram tarifas sobre o Brasil porque querem “reciprocidade” no tratamento e se queixou de setores específicos em que o País aplica alíquotas mais altas. Ele mencionou o etanol – 18% – e citou que a tarifa americana seria de apenas 1,5%.
Perez mencionou a conversa recente entre os presidentes Lula e Trump, por telefone, na sexta-feira passada, que pode iniciar uma nova rodada de negociação. Uma reunião foi agendada para a próxima segunda-feira, dia 31, entre o ministro Márcio Elias Rosa (MDIC) e o embaixador Jamieson Greer (USTR).
“Tenho certeza de que ambos estão tentando chegar a um acordo que seja benéfico para seus países”, disse o embaixador indicado.
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