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26 de agosto de 2026
Por Tânia Rabello
São Paulo, 26/08/2026 – O Instituto Equilíbrio propôs, aos candidatos à Presidência do Brasil, seis prioridades para o próximo governo federal conciliar competitividade do agronegócio, ação climática e crescimento econômico. As propostas estão reunidas no documento “O Campo como Solução: Caminhos para a Transição Climática com Crescimento – Seis Prioridades para Conciliar Competitividade, Ação Climática e Prosperidade”, que foi antecipado ao Broadcast Agro.
O documento lembra que o agronegócio ocupa posição central nas discussões sobre segurança alimentar, energética e climática, já que responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, quase metade das exportações do País e uma em cada quatro vagas formais de trabalho. As seis prioridades definidas pelo Instituto para o período de 2027 a 2030 são mercado de carbono, finanças verdes, biocombustíveis, agricultura regenerativa, fertilizantes verdes e pecuária.
“Entregar essa agenda a todos os candidatos, sem distinção, é reconhecer que essa transição não pode esperar o resultado das urnas. Ela precisa começar a ser desenhada agora, e o Brasil tem a oportunidade histórica de liderar essa solução para o mundo. Contribuir para essa liderança, com soluções aplicadas e políticas públicas inovadoras, é o papel do Instituto Equilíbrio”, afirma, em nota, o CEO da entidade, Eduardo Bastos.
No mercado de carbono, uma das principais alavancas da transição climática no setor agropecuário e florestal, responsável por cerca de 25% das emissões nacionais, o Equilíbrio defende a implementação eficaz do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e um mercado regulado de carbono do País, alinhada ao Artigo 6 do Acordo de Paris. A organização propõe ainda a valorização de créditos florestais e agrícolas de alta integridade e a integração de políticas hoje fragmentadas, como o Plano ABC+ e o Caminho Verde, em uma estratégia única para o agro de baixo carbono.
O Equilíbrio também defende uma participação ativa do Brasil nos fóruns internacionais que definem as regras desse mercado, como as Conferências das Partes (COPs) da Organização das Nações Unidas (ONU) e os mecanismos de compensação de emissões da aviação e da navegação, Corsia-ICAO e Mepc-IMO, respectivamente. Na avaliação da entidade, a recompensa financeira dos créditos de carbono pode estimular a adoção de práticas de baixo carbono, reduzir o risco de quebras de safra e a pressão sobre os preços dos alimentos e representar uma fonte adicional de renda para o produtor rural.
Na frente de finanças verdes, o Instituto Equilíbrio propõe transformar o potencial climático brasileiro em capital disponível para financiar a transição no campo, com atração de investimentos internacionais por meio de green bonds, títulos verdes, fundos ESG, baseados em critérios ambientais, sociais e de governança, e mecanismos de mercado de carbono.
Para dar confiabilidade aos projetos e clareza sobre o que pode ser considerado sustentável, a organização defende uma estrutura sólida de medição, reporte e verificação (MRV) e uma taxonomia verde coerente. Também recomenda o fortalecimento do crédito e do seguro rural sustentável, o aperfeiçoamento de mecanismos como o EcoInvest e a integração de pequenos e médios agricultores ao financiamento climático. O resultado esperado, segundo o Instituto Equilíbrio, é ampliar o volume de recursos destinados ao campo, gerar empregos e reduzir a vulnerabilidade do País a choques externos, ao mesmo tempo em que projetos sustentáveis ganham escala e produtores podem ter acesso a condições mais atrativas de crédito e seguro.
Os biocombustíveis, por sua vez, são apresentados como uma área em que o Brasil já possui liderança e pode ampliar sua atuação, especialmente em setores de difícil eletrificação, como os transportes marítimo e aéreo. O Instituto Equilíbrio defende no documento, nesse sentido, a diversificação da oferta de matérias-primas; o fortalecimento das políticas públicas domésticas com foco em inovação e previsibilidade regulatória; a promoção dos biocombustíveis como solução global de descarbonização e a abertura de novos mercados internacionais, principalmente para o combustível sustentável de aviação, o SAF, e para o biobunker, combustível marítimo renovável. Para o consumidor, a organização aponta como benefícios potenciais a redução da dependência de petróleo importado, a melhora da qualidade do ar e o reforço da soberania energética brasileira.
Na agricultura regenerativa, o Instituto Equilíbrio defende a aceleração do Plano ABC+, política pública brasileira de incentivo à agricultura de baixa emissão de carbono, e sua expansão para tecnologias como biochar e remineralizadores, desde que sejam soluções escaláveis, economicamente viáveis e comprovadas cientificamente, capazes de funcionar em diferentes escalas de produção.
A adoção dessas práticas, segundo a entidade, pode melhorar a saúde dos solos, elevar a resiliência climática das lavouras e reduzir o risco de frustração de safras diante de secas e enchentes. Também pode contribuir para a diversificação da renda do produtor rural.
Traçar estratégias para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados também aparece entre as prioridades. Segundo o Instituto Equilíbrio, cerca de 85% do volume de fertilizantes consumido no País é importado. Para reduzir essa vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, diminuir as emissões associadas à produção dos insumos, a organização defende o fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes, incluindo o ProFert, além de parcerias público-privadas capazes de destravar investimentos em plantas industriais e em infraestrutura de distribuição.
Na avaliação do Instituto, os fertilizantes verdes, produzidos por rotas menos intensivas em carbono, podem reduzir a dependência externa e proteger os custos de produção agrícola de choques internacionais, contribuindo para maior estabilidade dos preços dos alimentos.
Na pecuária, o Instituto Equilíbrio identifica o maior potencial de descarbonização imediata do setor a partir da recuperação de pastagens degradadas, que hoje representam 64% da área total ocupada por pastagens no País. A organização defende a aceleração do Plano ABC+ e do Caminho Verde, Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas, cuja meta de recuperação foi ampliada para 40 milhões de hectares. Também propõe a formalização de uma taxonomia e de um sistema de MRV para monitorar a transição e o fortalecimento da Estratégia Nacional Metano Zero. A recuperação das pastagens, segundo o Instituto Equilíbrio, permitiria aumentar a produção de carne na mesma área, evitando novos desmatamentos e emissões e ampliando a oferta de alimentos, fibras e energia, além de dinamizar as economias locais.
O documento “O Campo como Solução: Caminhos para a Transição Climática com Crescimento – Seis Prioridades para Conciliar Competitividade, Ação Climática e Prosperidade” está disponível no site do Instituto Equilíbrio, em versão completa e sumário executivo.
Contato: tania.rabello@estadao.com
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