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Cecafé: setor tem ampliado mecanismos de rastreabilidade e monitoramento socioambiental

5 de agosto de 2026

São Paulo, 05/08/2026 – O setor cafeeiro brasileiro tem ampliado os mecanismos de rastreabilidade e monitoramento socioambiental para atender às crescentes exigências dos mercados internacionais, incluindo as regras do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, em inglês), que entrará em vigor no fim deste ano, informou em comunicado o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos. Ele participou ontem, em São Paulo, do 1º Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas (I Encontro DH&E Brasil 2026), realizado pela Aliança Pelos Direitos Humanos e Empresas (ADHE), com correalização do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Matos destacou que, em 2023, o Cecafé lançou a ‘Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil’, que reúne exportadores e utiliza bases oficiais do governo para verificar aspectos como cumprimento do Código Florestal, regularidade fundiária, ausência de desmatamento e respeito às normas trabalhistas e de direitos humanos, permitindo um rastreio do café até o polígono de produção da propriedade e a geração de documentação auditável para comprovar a conformidade socioambiental dos embarques.

O diretor-geral revelou, ainda, que os trabalhos preventivos e de qualificação que o Cecafé promove envolvem capacitação, prevenção e diálogo com produtores e trabalhadores, como no exemplo do Programa Trabalho Sustentável (PTS), desenvolvido em parceria com autoridades fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que capacitou mais de 600 multiplicadores técnicos em boas práticas trabalhistas em 2026, e da Mesa Nacional de Diálogo pelo Trabalho Decente na Cafeicultura.

Matos ressaltou a atuação da fiscalização pública no setor, informando que aproximadamente 99% das inspeções realizadas na cafeicultura encontram condições de conformidade, atendendo aos padrões de proteção dos direitos humanos. “Para o Cecafé, a combinação entre dados públicos, fiscalização, monitoramento e ações preventivas permite estruturar processos de devida diligência mais eficientes e confiáveis”, comentou na nota.

Com relação aos compradores internacionais, Matos observou que a recomendação transmitida é priorizar as informações já disponíveis nas bases oficiais brasileiras e evitar pedidos excessivos ou duplicados aos exportadores. “O cruzamento de notas fiscais com dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de informações sobre embargos ambientais, áreas protegidas e inspeções trabalhistas, permite identificar a origem do café, o produtor responsável e reunir as evidências necessárias em um relatório consolidado de conformidade socioambiental, efetivando a devida diligência, não sendo necessária a criação de novos trâmites que ampliem a burocracia e retardem processos”, concluiu.

(Equipe AE)

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