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Confinamento, a margem deverá aumentar em 2026

26 de agosto de 2026

Artigo de: Alcides Torres

Confinamento, a margem deverá aumentar em 2026

A alimentação é o principal trunfo do confinador neste ano

O confinamento de bovinos no Brasil deverá crescer em 2026, aponta a pesquisa feita em campo pela Scot Consultoria, através da expedição Confina Brasil. Os confinamentos mapeados em 2025 indicaram que 78,8% pretendiam aumentar o volume de bovinos confinados em 2026, frente a 2025. Outros 8,7% acreditam que o volume deve ficar estável, e apenas 4,9% preveem redução na produção.

O Imea apresentou em agosto de 2026 seu segundo levantamento de intenção de confinamento e manteve a expectativa de crescimento em relação a 2025, apesar da revisão para baixo em relação ao primeiro levantamento de abril de 2026. A expectativa é de que 1,33 milhão de cabeças sejam confinadas em Mato Grosso, crescimento de 43,4% em relação ao volume confinado em 2025. Em 2025, a Scot Consultoria estima que 8,3 milhões de cabeças foram confinadas. Para 2026, a estimativa é de que 10,1 milhões de cabeças sejam confinadas – crescimento de 8,6% em relação ao ano anterior.

Em um ano, a cotação do boi magro, que pode representar até 70,0% dos custos do sistema, subiu em todas as praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria na comparação feita ano a ano.

Confinamento, a margem deverá aumentar em 2026

Em São Paulo, a cotação do boi magro aumentou 9,3% na comparação feita ano a ano, enquanto o do boi gordo, no mesmo período, subiu 13,7%. Ou seja, apesar do aumento do custo com o boi magro, a receita com a venda do boi gordo cresceu mais. Isso explica parte da expectativa de crescimento do confinamento previsto para 2026, mas não só. A alimentação é o segundo centro de custo do confinamento. Em 2026, a dieta está favorável ao pecuarista – ajudando a compensar o aumento do preço do boi magro. Com o aumento da cotação da arroba do boi gordo e o preço dos alimentos praticamente entre estabilidade e queda, o poder de compra esteve vantajoso ao pecuarista. Na figura 1, detalhamos a quantidade de arrobas de boi gordo que compram uma tonelada de diferentes alimentos. Veja que, em 2026, a relação está em seu menor nível – ou seja, menos arrobas compram uma mesma quantidade de alimento que em anos anteriores.

Confinamento, a margem deverá aumentar em 2026

Além dos alimentos proteicos, o milho, principal alimento energético e balizador para outros alimentos, também está favorável ao comprador. Em 2026, em poucos momentos, o poder de compra em Mato Grosso não foi o maior em cinco anos – veja na figura 2.

Confinamento, a margem deverá aumentar em 2026

O bom momento ao comprador tem a ver com a boa oferta, em função de uma safra ampla (recordes para a soja, o algodão e, no caso do milho, a segunda melhor safra do país) e aumento do processamento, seja do esmagamento da soja, para a produção de óleo, ou do milho, para a produção do etanol, gerando mais oferta de comida (farelo de soja e coprodutos secos e úmidos do milho, por exemplo).

Mas e a conta do confinador?

Através da simulação de um sistema de engorda em confinamento, com a entrada da boiada no fim de agosto (24/8), com duração de 106 dias de confinamento (Confina Brasil 2025), ganho de peso diário de 1,6 quilo e um rendimento de carcaça de 56,0%, projetamos o resultado da atividade. Foi considerada uma diária de R$ 14,00/cabeça, considerando resultados parciais da pesquisa expedicionária Confina Brasil em 2026 e o preço de aquisição do boi magro em R$ 4,9 mil por cabeça (Scot Consultoria).

A venda ocorrerá no começo de dezembro. Para estimar o resultado na saída, considerou-se a cotação do contrato futuro de boi gordo na B3, com vencimento em dezembro/26 e um diferencial de base de 10,0% entre Mato Grosso e São Paulo. A cotação na B3 estava em R$ 367,50/@ no fechamento de 21/8/2026, com o diferencial de base estimamos uma arroba em Mato Grosso em R$ 333,00. Na tabela 2, apresentamos os parâmetros adotados e a estimativa do resultado por bovino confinado.

Confinamento, a margem deverá aumentar em 2026

O resultado estimado para 2026 é de R$ 386,47/cabeça. Em 2025, apesar de o boi magro custar R$ 4,3 mil e a diária do confinamento próxima à estimada este ano (R$ 13,30), o preço de venda do boi gordo estava em R$ 290,00/@ no Estado. Agora, segundo levantamento da Scot Consultoria, a cotação do boi gordo em Mato Grosso, em 24 de agosto de 2026 estava entre R$ 330,00 e R$ 335,00, dependendo da região, o diferencial vigente (agosto/26) estava em 5,3%. Ou seja, há potencial, no momento da venda, de que o diferencial entre Mato Grosso e São Paulo seja menor que o diferencial histórico de 10,0% considerado, o que traria uma cotação na praça mato-grossense acima dos R$ 333,00 estimados e, consequentemente, margem maior ao confinador.

Confinamento, a margem deverá aumentar em 2026

A alimentação e a valorização da arroba do boi gordo, apesar do avanço do preço do boi magro, estão sendo o “trunfo” do pecuarista em 2026.

Por Alcides Torres, engenheiro agrônomo e fundador da Scot Consultoria, com a colaboração com Felipe Fabbri, zootecnista, pesquisador da Scot.
www.scotconsultoria.com.br

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