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Segundo Pablo Cesário, a expansão de tecnologias como inteligência artificial e data centers ampliará a demanda por minerais críticos, tornando a mineração peça-chave para a transição energética e o fornecimento de matérias-primas essenciais.
10 de junho de 2026

Pablo Cesário. Foto: IBRAM / Divulgação.
O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, destacou o papel estratégico da mineração na geração sustentável de energia, diante do avanço acelerado de novas tecnologias. Segundo ele, o aumento da demanda energética para sustentar inovações como inteligência artificial, data centers e digitalização reforça a importância do estímulo à mineração para viabilizar a transição energética. “Este cenário posiciona a mineração no principal palco de discussão global. Não existe energia sustentável sem mineração, seja eólica, solar ou nuclear”, afirmou.
Pablo Cesário apresentou a palestra de abertura do Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos 2026, nesta segunda-feira (9/6), em Brasília. O evento, realizado pelo IBRAM, contou com a participação de executivos de entidades e de empresas do setor mineral, entre outros segmentos, e autoridades federais.
A fala do presidente do IBRAM foi endossada pela representante do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, no seminário, a secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt. “A mineração vive um momento especial. Ganhou um enfoque de setor estratégico de Estado. Deixou de ser um tema de interesse restrito dos países produtores (de minérios)”, disse ao se referir à crescente demanda global pelos minerais críticos e estratégicos e ao potencial do Brasil em ser um dos principais fornecedores.
O presidente do IBRAM também abordou o consenso político entre governo e oposição, que resultou na aprovação do projeto de lei 2780/2024, que institui a política nacional de minerais críticos e estratégicos, na Câmara dos Deputados. “Este consenso permitiu dar uma resposta à Nação sobre um desafio real”, disse ao se referir à política pública sobre os minerais críticos.
O deputado Arnaldo Jardim, que assim como Ana Paula, do MME, participou do primeiro painel de debates, foi o relator do PL 2780 na Câmara. Assim como Pablo Cesário, Arnaldo Jardim destacou o alinhamento entre Executivo e Legislativo na construção “de uma política de Estado para os minerais críticos e estratégicos”. O PL tramita agora no Senado Federal. “O conjunto que foi constituído terá aperfeiçoamento, mas dificilmente o Senado destoará, divergirá ou estabelecerá um novo rumo”, declarou.
Na fala de abertura, o presidente do IBRAM ressaltou que o Brasil reúne condições únicas para assumir um papel de protagonismo na oferta global de minerais estratégicos, incluindo as terras raras, essenciais para tecnologias de ponta e para a transição energética. Segundo ele, o país possui recursos minerais relevantes e capital humano qualificado, com pesquisadores, profissionais e empresas capazes de competir globalmente.
Para o dirigente, o futuro da mineração está baseado na combinação entre recursos minerais e conhecimento. Ele defendeu que o aproveitamento de minerais críticos e estratégicos deve estar associado ao desenvolvimento científico, à inovação e à agregação de valor, permitindo que o país participe de forma mais qualificada das cadeias globais de produção. “O futuro é um binômio: mineração mais conhecimento”, afirmou.
Cesário também destacou a importância de o Brasil fortalecer parcerias comerciais e institucionais com outros países, tanto para ampliar mercados quanto para promover a troca de conhecimento e a adoção das melhores práticas internacionais em sustentabilidade, governança e inovação. Na sua avaliação, a cooperação internacional será fundamental para que o Brasil consolide sua posição como fornecedor confiável de minerais essenciais para a economia de baixo carbono, ao mesmo tempo em que desenvolve uma indústria mais competitiva e alinhada aos padrões globais.
Ao abordar os desafios do desenvolvimento, o presidente do IBRAM defendeu que a expansão da mineração deve estar diretamente conectada à geração de prosperidade compartilhada. Segundo ele, o grande desafio do Brasil é transformar sua riqueza mineral em oportunidades duradouras para trabalhadores, comunidades, empreendedores e investidores. “Mais do que criar ciclos de ouro, é criar um ciclo sustentável e duradouro para todos”, concluiu.
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