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Companhia afirma que gestão social e ambiental começou ainda na fase de licenciamento e destaca consulta a comunidade quilombola, monitoramento ambiental em tempo real e qualificação de mão de obra local como estratégias para garantir a "licença social" do empreendimento.
15 de julho de 2026

André Vasconcelos e Paulo Henrique Lima. Foto: Jefferson Ryan Costa Alves.
Outro ponto defendido foi a necessidade de preparar previamente trabalhadores e fornecedores locais.
“Não basta dizer que só vai contratar mão de obra qualificada ou fornecedores preparados. A empresa precisa participar desse processo de qualificação desde o início.”
Ele acrescentou que fortalecer fornecedores e trabalhadores locais também representa ganhos econômicos para o próprio empreendimento.
“Isso é geração de valor compartilhado. É mais eficiente contratar pessoas e empresas da própria região, desde que elas sejam preparadas para isso.”
Grande parte da apresentação foi dedicada ao processo de Consulta Livre, Prévia e Informada junto à comunidade quilombola do Baú, localizada na área de influência do Projeto Bandeira.
Segundo Vasconcelos, o processo teve início em novembro de 2025, seguindo as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Incra.
Após a aprovação do plano de trabalho pela comunidade, foram realizados estudos sobre impactos sociais e ambientais percebidos pelos moradores, oficinas participativas e a construção do Plano Básico Ambiental Quilombola (PBAQ).
Ao todo, foram identificadas 16 percepções de impactos socioambientais e elaborados cinco programas compostos por 35 projetos voltados à mitigação e compensação dos impactos.
O gerente destacou que o processo vai além de uma exigência legal.
“Fazemos isso porque acreditamos que é o caminho certo. Não é uma obrigação burocrática.”
Segundo ele, um dos momentos mais marcantes ocorreu durante o diálogo com lideranças da comunidade.
“Uma liderança nos disse: ‘Quando vocês nos consultam, mostram que nós somos importantes’. Isso demonstra o quanto o respeito e o diálogo fazem diferença.”
De acordo com a empresa, a consulta envolveu:
• mais de 3.800 horas de trabalho da consultoria especializada; • cerca de 900 horas da equipe técnica da Lithium Ionic; • 39 encontros realizados; • mais de 400 horas de atividades diretamente com a comunidade; • aproximadamente 700 pessoas mobilizadas; • participação de 26 profissionais.
A expectativa é que, após manifestação do Incra, seja realizada a reunião final de validação do processo, permitindo o avanço do licenciamento ambiental.
Entre as medidas previstas no Plano Básico Ambiental Quilombola está a capacitação de jovens da comunidade para acompanhar o monitoramento ambiental da futura mina.
Segundo Vasconcelos, eles poderão acompanhar indicadores como ruído, poeira e vibração.
“Queremos que a comunidade acompanhe o monitoramento ambiental conosco. Não temos receio da transparência. Se errarmos, precisamos corrigir rapidamente.”
Na sequência da apresentação, o gerente de Meio Ambiente, Paulo Henrique Lima, detalhou como será estruturada a gestão ambiental do Projeto Bandeira.
Segundo ele, a prioridade, nesta fase de licenciamento, é o planejamento dos sistemas de controle que serão utilizados durante a implantação e operação da mina.
A proposta prevê monitoramento automático e em tempo real de indicadores como:
• qualidade do ar; • ruído; • vazão e qualidade da água; • parâmetros meteorológicos; • estabilidade geotécnica das pilhas.
Segundo Lima, a intenção é que esses dados sirvam não apenas para atender exigências dos órgãos ambientais, mas também como ferramenta permanente de gestão.
“Queremos utilizar essas informações para identificar tendências e corrigir desvios antes que eles aconteçam. A tecnologia será uma ferramenta de gestão, controle e resposta.”
Ele afirmou que a empresa pretende disponibilizar essas informações também para a população.
“O monitoramento em tempo real aumenta a rastreabilidade, a transparência e a segurança da gestão ambiental, permitindo que a comunidade acompanhe o desempenho do empreendimento.”
Paulo Henrique Lima reforçou que o Projeto Bandeira permanece em fase de licenciamento ambiental e que a empresa pretende manter a integração entre gestão social e ambiental ao longo de todas as etapas do empreendimento.
“A gestão social está baseada no diálogo e no respeito. A gestão ambiental será baseada em planejamento, monitoramento e resposta. É isso que garante uma implantação organizada, transparente e segura do empreendimento.”
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