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Accenture: Ataques cibernéticos com IA têm como alvo preferencial o setor financeiro

26 de agosto de 2026

Por Aramis Merki II

São Paulo, 26/08/2026 – O setor financeiro, historicamente conhecido pela robustez nos investimentos em segurança e tecnologia, passou a ser um alvo frequente de ataques cibernéticos em 2026, de acordo com Vanessa Fonseca, diretora de cibersegurança da Accenture.

Segundo Fonseca, até recentemente os ataques cibernéticos estavam mais pulverizados entre diferentes setores da economia, enquanto as instituições financeiras, por terem estruturas de segurança mais maduras, eram relativamente menos visadas. O cenário mudou com a adoção de novas ferramentas de inteligência artificial (IA) por grupos criminosos, que passaram a atuar com maior velocidade e sofisticação.

A responsabilidade precisa se estender também à contratação e ao relacionamento com parceiros e fornecedores. Segundo Fonseca, uma parcela relevante dos ataques contra instituições financeiras envolve terceiros ou pessoas com acesso interno às organizações, o que amplia o perímetro que precisa ser protegido.

Para a executiva, um dos principais desafios das empresas é reduzir o distanciamento entre as equipes técnicas e as áreas executivas. “A cibersegurança sempre ficou concentrada em estruturas muito técnicas, o que dificulta a tradução dos riscos para uma linguagem compreensível por executivos e conselhos de administração”, disse ela nesta quarta-feira, 26, em painel no Febraban Tech, evento de tecnologia para o setor financeiro em São Paulo.

Fonseca afirmou que parte de seu trabalho tem sido justamente melhorar essa comunicação. A questão, segundo ela, é fazer com que a alta administração consiga entender quais sistemas são críticos para a operação e quais seriam as consequências de uma eventual interrupção.

O avanço da IA adiciona uma camada de complexidade. Segundo Fonseca, organizações criminosas conseguem incorporar novas ferramentas com mais agilidade do que empresas de setores regulados, que precisam conciliar inovação, controles e requisitos de segurança.

Como exemplo, a executiva citou uma campanha maliciosa recente nos Estados Unidos, direcionada a fundos de hedge, que teria utilizado fraude de voz para obter credenciais de acesso e conseguido atingir quatro grandes fundos de Wall Street. “O caso mostra que mesmo o setor financeiro, com camadas de segurança robustas, está exposto ao risco”, afirma Fonseca.

Contato: Merki@broadcast.com.br

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