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Falência da Oi é o fim do desmonte que durou dez anos da antiga super tele nacional

25 de agosto de 2026

Por Circe Bonatelli

São Paulo, 25/08/2026 – A confirmação da falência da Oi nesta terça-feira, 25, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, representa o fim do processo de desmonte da antiga “super tele nacional”, iniciado dez anos atrás.

O projeto de formar uma campeã nacional nasceu em 2008, após a fusão da Telemar com a Brasil Telecom, apoiada pelo governo federal. O intuito era criar uma corporação brasileira para ocupar um pedaço relevante do mercado de telecomunicações dominado pelas multinacionais Vivo, Claro e TIM.

Mas problemas de gestão, crescimento acelerado e aquisições mal sucedidas (como da Portugal Telecom) fizeram a dívida do grupo explodir.

A primeira recuperação judicial foi iniciada em 2016 visando sanar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. Essa primeira etapa foi concluída em 2022. Mas sem sanar definitivamente os problemas no caixa, um novo processo de recuperação foi iniciado em 2023.

Para cumprir as obrigações perante os credores, a Oi passou por um desmonte, vendendo mais de R$ 20 bilhões em ativos desde 2016. A liquidação envolveu as operações de internet móvel, banda larga fixa, telefonia fixa, TV por assinatura e redes de fibra ótica. Além disso, o plano de recuperação embutiu descontos significativos no valor da dívida, além da entrega da empresa para os credores, a maioria detentores de títulos emitidos pela Oi no exterior.

Pouco a pouco, a Oi definhou até chegar ao pior momento de sua história. A empresa tinha apenas R$ 19,6 milhões na conta bancária em junho, quando emitiu o alerta de que não conseguiria manter suas operações. A empresa vinha queimando caixa por vários meses consecutivos, sem perspectiva de reversão.

Neste momento, sua dívida bruta a valor justo está em R$ 11 bilhões, segundo relatório dos administradores judiciais. A companhia já não publicava balanços trimestrais desde a metade do ano passado, em meio às tentativas frustradas de reestruturação.

No julgamento desta terça-feira, o Tribunal de Justiça selou o reconhecimento de que a companhia já não geraria mais receita significativa com as suas operações remanescentes e que o grosso dos recursos advinham apenas da venda de ativos.

No ano passado, a direção da Oi foi afastada do cargo. A empresa ficou sob comando de um gestor apontado pela Justiça: Bruno Rezende, sócio da consultoria Preserva Ação, que é um dos administradores judiciais do processo de recuperação.

A Pimco, credora e ex-acionista controladora da Oi, teve decretado arresto de bens e direitos sob indícios de que teria utilizado a posição de controle da Oi para cometer atos ilícitos e obter vantagem indevida

Últimos movimentos

Sobraram dentro da Oi apenas as subsidiárias de call center e manutenção de redes – que também acabaram indo à lona – e o seu braço de conectividade e tecnologia para empresas, a Oi Soluções.

A Oi Soluções ainda presta serviços considerados essenciais. Ela tem 14 mil contratos com empresas públicas e privadas – incluindo Caixa Econômica Federal, Correios, Lotéricas e órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário. Em junho, o grupo tentou vender a Oi Soluções por R$ 1,4 bilhão, mas ela não recebeu lances.

Em outro revés, a Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a venda, por R$ 4,5 bilhões, da participação da Oi na V.tal, maior empresa de infraestrutura digital e a primeira rede neutra de fibra ótica fim a fim, ou ponta a ponta, do mercado brasileiro.

A dificuldade em vender esses ativos afastou de vez as chances de ganhar um fôlego financeiro no curto prazo.

Agora pairam dúvidas sobre o futuro dos contratos da Oi Soluções. A Justiça precisará decidir também como será feito o pagamento dos credores com o que sobrou da Oi. Como há mais passivos do que ativos, o tema ainda vai alimentar brigas na Justiça.

Contato: circe.bonatelli@estadao.com

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