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24 de agosto de 2026
Por André Marinho e Altamiro Silva Junior
São Paulo, 24/08/2026 – O PicPay anunciou nesta segunda-feira um lucro ajustado de R$ 283 milhões no segundo trimestre deste ano, alta de 135% em relação ao mesmo período de 2025. O retorno (ROE, na sigla em inglês) anualizado chegou a 20,2% no trimestre, mesmo patamar de um ano antes, e acima de 15,5% do primeiro trimestre de 2026.
A receita líquida da fintech atingiu R$ 4,1 bilhões, crescimento anual de 67%. Já o total de clientes cresceu 10%, superando a marca de 70,4 milhões, de acordo com o balanço.
O lucro bruto somou R$ 1,2 bilhão entre abril e junho, avanço anual de 48%, ligeiramente acima do guidance para o período, de R$ 1,15 bilhão. A margem financeira (NII, em inglês) alcançou R$ 2 bilhões, crescimento de 65% na mesma base de comparação.
O CEO do PicPay, Eduardo Chedid, destaca que o banco digital segue com o “avanço em eficiência operacional”, enquanto diversifica receitas e cresce no crédito. A carteira de crédito fechou o segundo trimestre em R$ 31,9 bilhões, o dobro do que estava há um ano. No consignado privado, o PicPay atingiu 3,6 milhões de contratos desde o lançamento da modalidade pelo governo.
Os empréstimos com garantia, ou parcialmente garantidos, como consignado público e privado, e a antecipação do FGTS representavam 55% desse total. Do crescimento da carteira, 86% veio dessas modalidades com garantias e de cartões de crédito de clientes com relacionamento mais consolidado na plataforma.
Apesar disso, na qualidade dos ativos de crédito, a taxa de inadimplência (NPL, na sigla em inglês) para atrasos acima de 90 dias teve alta, chegando perto de dois dígitos. O indicador subiu de 4,1% no segundo trimestre de 2025 para 9,8% ao final de junho. Também foi maior do que o primeiro trimestre, quando fechou em 8,9%.
Já a inadimplência mais curta, para atrasos entre 15 e 90 dias, caiu de 8,4% ao final de março para 7,5% ao final do segundo trimestre, mas ainda acima maior do que há um ano, quando estava em 7%.
O novo diretor Financeiro do PicPay, André Cazotto, disse que a alta da inadimplência mais longa é reflexo do “amadurecimento natural” da carteira e não representa uma piora na qualidade das novas concessões. Ele observa que a tendência, como parte da maturação dessa carteira, é que a inadimplência longa ainda possa ter nova alta.
Para o terceiro trimestre de 2026, o PicPay projeta continuidade do crescimento da carteira de crédito, receitas próximas de R$ 4 bilhões e custo de risco entre 3,9% e 4,1%. No segundo trimestre, ficou em 3,9%, mesmo com o aumento das concessões e um cenário macroeconômico mais desafiador, ressalta Cazotto.
Desenrola
O PicPay renegociou R$ 520 milhões em dívidas pelo Desenrola, o programa do governo para renegociação de dívida. O diretor Financeiro ressalta que o desconto médio ficou em 50%, com impacto em 5% em custo de crédito, que mede as despesas com provisões contra calotes descontadas das recuperações.
Já os recursos capturados pelas maquininhas de cartão do PicPay (chamado de TPV) somou R$ 142,6 bilhões ao final de junho, expansão anual de 19%, impulsionada pelo maior uso do Pix e pelos cartões da fintech.
Contatos: andre.marinho@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com
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