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23 de agosto de 2026
Três em cada quatro startups brasileiras de inteligência artificial (IA) esperam aumentar o uso de infraestrutura computacional nos próximos 12 meses, aponta pesquisa da Axia Energia. A perspectiva de maior demanda soa como um alerta, já que há um descasamento em relação ao crescimento da capacidade de processamento no Brasil, avalia Maiza Pimenta Goulart, diretora do grid de inovação da Axia.
Mais de um terço das 90 empresas ouvidas relatam que já tiveram a operação limitada pela infraestrutura disponível. Goulart aponta que esta limitação é sobretudo no momento de escalar o negócio. “As startups estão buscando alternativas à nuvem, como criar uma infraestrutura com processadores (GPUs) próprios ou utilizar a infraestrutura diretamente em seus clientes”, afirma à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Esse cenário ganha relevância diante da concentração do processamento de dados brasileiros no exterior. Citando uma estimativa do Ministério da Fazenda, Goulart aponta que cerca de 60% dos dados do País são processados em nuvens internacionais, o que amplia o desafio para empresas que precisam ou preferem manter dados e processamento no Brasil.
Para a executiva, o avanço da infraestrutura para IA no Brasil dependerá da capacidade de coordenar a expansão dos data centers com a oferta de energia, especialmente de fontes renováveis. “A gente tem um país que tem oferta de energia renovável, que é um diferencial competitivo. Mas é preciso casar essa oferta com a demanda por processamento de dados. É preciso planejamento para não ter um impacto no grid de energia”, afirma.
O Brasil tem pedidos de conexão à rede de transmissão para data centers que totalizam 26,2 gigawatts (GW). O volume é mais de um quarto da capacidade elétrica nacional atual, de acordo com a Axia.
O volume de pedidos, porém, não significa que toda essa capacidade será efetivamente instalada. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) considera atualmente uma fila válida de 10,3 GW de projetos de data centers, após a exigência de garantias financeiras pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Segundo o diretor de planejamento do operador, Alexandre Zucarato, o sistema considera não apenas os projetos de data centers que já têm contratos de uso da transmissão assinados, mas também empreendimentos que obtiveram parecer de acesso à rede para planejar o sisteme elétrico.
A pesquisa aponta ainda que o preço não é o único fator que as startups levam em conta na escolha dos fornecedores de infraestrutura. O custo por hora de processamento, token ou gigabyte é citado por 71% das startups como critério. Mas uma parcela parecida (70%) aponta que a confiabilidade e o nível de serviço (SLA, na sigla em inglês) também são relevantes. A pesquisa mostra ainda que 59% estariam abertas a migrar de provedor, mas 70% apontam o custo dessa mudança como um fator preponderante.
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