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21 de agosto de 2026
Por Leandro Silveira
São Paulo, 21/08/2026 – O agronegócio brasileiro empregou 27,79 milhões de pessoas no primeiro trimestre de 2026, queda de 1% (267,3 mil trabalhadores) em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O recuo interrompe uma trajetória de sucessivos recordes no contingente de trabalhadores do setor.
A redução acompanhou o movimento do mercado de trabalho brasileiro como um todo, que registrou taxa de desocupação de 6,1% no primeiro trimestre de 2026. Com a queda, a participação do agronegócio no total de pessoas ocupadas no país recuou para 25,73%, ante 26,33% no primeiro trimestre de 2025 e 26,03% no quarto trimestre de 2025.
A retração da ocupação no agronegócio concentrou-se principalmente nos agrosserviços, que registraram redução de 2,9%, ou 308 mil trabalhadores. Na sequência, aparecem as agroindústrias, com queda de 3,1% (148,5 mil pessoas), e o segmento de insumos, que recuou 1,2% (3,8 mil trabalhadores). Em sentido oposto, o segmento primário registrou alta de 2,5%, com acréscimo de cerca de 190 mil pessoas, atenuando parcialmente a redução do setor.
No perfil da mão de obra, o número de empregados sem carteira assinada caiu 3,6% (147,4 mil pessoas), enquanto o contingente de empregados com carteira recuou 1,2%, com redução de 115,8 mil trabalhadores. Também houve queda entre empregadores (-5,2%, ou 55,8 mil pessoas) e trabalhadores familiares auxiliares (-5%, ou 68,5 mil).
Os trabalhadores por conta própria foram a exceção entre as categorias analisadas, com crescimento de 1,8%, equivalente a cerca de 120,2 mil pessoas. Segundo os pesquisadores do Cepea, o avanço atenuou parcialmente a retração observada nas demais categorias, mas não foi suficiente para impedir a queda da ocupação total.
A escolaridade da mão de obra continuou avançando, apesar da redução do contingente total. O número de trabalhadores com ensino superior cresceu 1,6% (72,9 mil pessoas). Em contrapartida, houve queda entre aqueles sem instrução (-1,4%), com ensino fundamental (-1,9%) e com ensino médio (-1,1%). O Cepea aponta que o resultado mantém o processo de elevação da escolaridade média da força de trabalho do agronegócio observado nos últimos anos.
Por gênero, a ocupação masculina caiu 1,2%, ou aproximadamente 203,4 mil pessoas, enquanto a feminina recuou 0,5%, equivalente a 63,9 mil trabalhadoras. A menor intensidade da queda entre as mulheres resultou em novo aumento de sua participação relativa na força de trabalho do agronegócio, dando continuidade à tendência observada nos últimos anos.
Contato: leandro.silveira@estadao.com
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