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Algodão/Abrapa: Brasil exporta recorde de 3,37 milhões de toneladas em 2025/26

19 de agosto de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 19/08/2026 – O Brasil exportou recorde de 3,37 milhões de toneladas de algodão no ano comercial 2025/26, encerrado em julho, alta de 19% ante os 2,84 milhões de toneladas do ciclo anterior, segundo relatório da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Foi a primeira vez que os embarques brasileiros superaram 3 milhões de toneladas em um único ano comercial. A receita alcançou US$ 5,3 bilhões.

O resultado mantém a trajetória de avanço das exportações brasileiras nos últimos anos. O volume passou de 1,45 milhão de toneladas em 2022/23 para 2,68 milhões em 2023/24, 2,84 milhões em 2024/25 e 3,37 milhões em 2025/26. Dezembro foi o mês de maior movimentação no último ciclo, com 452 mil toneladas embarcadas.

“Esse resultado mostra que o Brasil conquistou escala, competitividade e confiança do mercado internacional. Mais do que comemorar um recorde, precisamos olhar para o que ele representa: o País se consolidou como um fornecedor estratégico de algodão para a indústria têxtil mundial”, afirmou o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, em nota.

A China encerrou 2025/26 como principal destino da fibra brasileira, com 770,5 mil toneladas, cerca de 23% do total. As vendas ao mercado chinês aumentaram 309,2 mil toneladas em relação ao ciclo anterior. Bangladesh também ampliou as compras em 173,2 mil toneladas. Em sentido contrário, os embarques para Vietnã e Paquistão recuaram 137,4 mil e 79,2 mil toneladas, respectivamente.

O avanço das exportações levou o superávit brasileiro no comércio de algodão a US$ 5,29 bilhões entre agosto de 2025 e julho deste ano, alta de 9% na comparação anual. As importações somaram 968 toneladas, equivalentes a 0,13% do consumo doméstico.

No Brasil, a Abrapa estima produção de 3,9 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26, queda de 8,2% ante o ciclo anterior, em área de 1,99 milhão de hectares, recuo de 8%. O recorde de exportações em meio à produção menor elevou os estoques finais a 879 mil toneladas, o maior volume da série histórica do relatório. Para 2026/27, a entidade projeta recuo dos estoques para 668 mil toneladas, reflexo da combinação entre produção menor e avanço contínuo dos embarques.

Para 2026/27, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta manutenção da liderança brasileira nas exportações mundiais, com previsão de 3,33 milhões de toneladas, ante 2,68 milhões para os Estados Unidos. Na produção, o Brasil deve permanecer na terceira posição mundial, com 3,97 milhões de toneladas, atrás de China e Índia.

A perspectiva ocorre em um ambiente de oferta global mais apertada. Segundo dados do USDA reunidos pela Abrapa, a produção mundial de algodão deve cair 3,5% em 2026/27, para 25,61 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve subir para 26,76 milhões de toneladas. Os estoques finais globais são projetados em 15,17 milhões de toneladas, abaixo dos 16,29 milhões estimados para 2025/26.

“Os números recordes não são uma linha de chegada. É uma conquista que aumenta nossa responsabilidade. Precisamos continuar investindo em qualidade, sustentabilidade, rastreabilidade, inovação e relacionamento com os compradores para que a liderança brasileira seja cada vez mais reconhecida e sustentável no longo prazo”, afirmou Piccoli.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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