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7 de agosto de 2026
Por Juliana Garçon
Rio, 07/08/2026 – A maioria das instituições financeiras (92%) já está usando inteligência artificial de alguma forma, de acordo com pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), apresentada pelo líder de Inovação da associação, Marcelo Billi. “Todo mundo no mercado financeiro está usando IA”, afirmou o executivo em palestra no Rio Innovation Week, conferência de inovação realizada nesta semana no Pier Mauá.
No painel, o executivo comentou algumas das informações reveladas em pesquisa da associação junto a 177 instituições financeiras, entre janeiro e abril, com apoio do Datafolha. A margem de erro é de 7 pontos percentuais. A pesquisa será divulgada na íntegra em 1º de setembro.
“Nós buscamos entender o grau de maturidade da IA nas instituições”, completou o executivo, explicando que a Anbima buscou uma consultoria para delinear os índices de maturidade.
Dentre as empresas ouvidas, 84% participaram de uma iniciativa de IA no último ano. Projetos exploratórios (69%) e formações e conteúdos (65%) foram os principais focos, conforme o estudo.
Porém, a IA ainda é uma ferramenta de eficiência, e não um motor de transformação. Indagadas sobre o tema, 80% mencionaram aumento de produtividade, 75% citaram automação de tarefas e 57% apontaram o apoio à tomada de decisão e a redução de riscos ou erros. “São situações em que é possível fazer o mesmo, mais rápido”, disse Marcelo Billi.
Porém, os resultados sugerem que ainda é limitado o uso da IA para inovar e mudar o modelo de negócios. Apenas 6% indicaram que a IA representa uma mudança de modelo de negócios. Outros 14% apontaram vantagem competitiva e17% citaram criação de novos produtos e serviços.
Em relação às áreas das instituições, a IA já entrou nos setores de back office (74%), análise de investimentos (56%), compliance regulatório (44%), gestão de riscos (36%), operações (33%), marketing e vendas (17%), atendimento ao cliente (15%) e recursos humanos (15%). A IA prospera onde há processos repetitivos, dados disponíveis e dor operacional.
De acordo com a pesquisa, 93% das instituições sentem que a IA gera valor, mas apenas 15% conseguem medir esse valor, destacou o executivo da Anbima. Uma parcela de 43% só usa a percepção informal, sem métricas, enquanto 15% fazem uma mensuração estratégica.
Cerca de metade (54%) dos entrevistados disse não ver resistência significativa à IA e, onde ela existe, ela se deve à desconfiança e à falta de conhecimento, não medo de perder o emprego, comentou Billi. Só 13% dos respondentes têm uma estratégia de capacitação consolidada.
Contato: juliana.garcon@estadao.com
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