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Sustentabilidade e inovação colocam o Brasil no centro da corrida global pelos minerais críticos

Fórum promovido pela Amcham Brasil reúne executivos da Sigma Lithium, Meteoric Resources, Brazilian Nickel e St. George Mining para debater os desafios operacionais, ambientais e as oportunidades que podem transformar o país em protagonista da transição energética.

5 de agosto de 2026

Monitoramento ambiental baseado em evidências técnicas e transparência fortalece a confiança das comunidades, investidores e órgãos reguladores. Imagem / Divulgação: Agência Minera

A combinação entre riqueza geológica, sustentabilidade, inovação tecnológica e segurança jurídica pode colocar o Brasil entre os principais protagonistas da cadeia global de minerais críticos e terras raras.  Essa foi a principal mensagem do painel “Desafios Operacionais e de Monitoramento Ambiental na Produção de Minerais Críticos e Terras Raras”, realizado durante o fórum promovido pela Amcham Brasil, em Belo Horizonte.

O debate reuniu executivos de algumas das principais empresas que desenvolvem projetos de minerais estratégicos no país e mostrou que, além do potencial mineral, o Brasil reúne condições para atrair investimentos e consolidar uma cadeia produtiva global voltada à transição energética.

A discussão ganha ainda mais relevância diante do estudo inédito da Amcham Brasil, apresentado durante o encontro, que estima a expansão dos investimentos em minerais críticos e terras raras poderá adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar 750 mil novos empregos até 2050, caso o país avance na atração de investimentos e no processamento desses minerais em território nacional.

Monitoramento ambiental e desenvolvimento das comunidades

 Daniel Abdo, vice-presidente de Relações Internacionais e Desenvolvimento de Negócios da Sigma Lithium apresentou a experiência da empresa no Vale do Jequitinhonha e destacou que a gestão ambiental precisa ser baseada em dados técnicos e transparência.

Segundo o executivo, a companhia desenvolveu um programa de monitoramento ambiental conduzido ao longo de um ano em quatro comunidades vizinhas à operação, com medições realizadas por empresas técnicas independentes e credenciadas.

De acordo com Abdo, a iniciativa oferece transparência às comunidades, órgãos reguladores, investidores e clientes, permitindo que o desempenho ambiental seja avaliado com base em evidências técnicas.

Além da agenda ambiental, ele ressaltou os impactos socioeconômicos da mineração de lítio na região. Atualmente, a Sigma Lithium gera mais de 1.500 empregos diretos e cerca de 19 mil empregos indiretos, contribuindo para dinamizar a economia local e ampliar as oportunidades de renda.

O executivo também destacou os investimentos sociais realizados pela empresa, incluindo programas de empreendedorismo feminino, iniciativas de fortalecimento da cultura regional e projetos voltados ao apoio da agricultura familiar e de pequenos produtores.

Abdo defendeu a necessidade de o Brasil avançar na previsibilidade regulatória para ampliar sua capacidade de atrair investimentos internacionais. Segundo ele, a demora nos processos de licenciamento reduz a competitividade do país e afeta diretamente o retorno esperado pelos investidores globais. “O capital busca previsibilidade. Quando os prazos são incertos, o risco aumenta e isso impacta a decisão de investimento. O Brasil reúne excelentes projetos e um enorme potencial, mas precisa oferecer um ambiente regulatório mais previsível para competir globalmente”, afirmou.

Brasil reúne os melhores projetos de terras raras do mundo e tem potencial para liderar um mercado global baseado em sustentabilidade, segurança jurídica e competitividade. Imagem / Divulgação: Agência Minera

Brasil pode liderar um mercado sustentável de terras raras

O diretor executivo da Meteoric Resources, Marcelo Carvalho, afirmou que o Brasil possui uma oportunidade única para liderar o mercado global de terras raras.

Segundo ele, o país reúne alguns dos melhores depósitos do mundo e apresenta vantagens competitivas importantes, especialmente pela sustentabilidade dos projetos e pela segurança jurídica oferecida aos investidores.

“O Brasil, hoje, tem os melhores depósitos de terras raras do mundo. E a maior vantagem competitiva que nós temos é poder ser a base e o líder de um mercado sustentável.”

Carvalho destacou que o evento proporcionou um importante espaço de diálogo entre empresas e especialistas para discutir formas de ampliar a competitividade brasileira e transformar o potencial geológico do país em desenvolvimento econômico sustentável.

Na avaliação de Carvalho, o diferencial brasileiro está justamente na possibilidade de construir uma cadeia de produção sustentável, em contraste com outros mercados internacionais, como o chinês, cuja produção enfrenta questionamentos relacionados às práticas ambientais.

Indústria mineral precisa estar mais próxima das comunidades para evidenciar os benefícios da atividade. Imagem / Divulgação: Agência Minera

Como transformar potencial em produção?

A diretora de Assuntos Corporativos da Brazilian Nickel, Luciana Guttman, chamou atenção para a necessidade de se criar mecanismos de financiamento capazes de acelerar a implantação dos projetos minerais no Brasil.

Segundo ela, o desafio atual não é geológico, mas financeiro.

“Para o níquel, a gente está falando de um mercado em que a questão não é geológica. Hoje temos um único país produzindo mais de 60% do níquel mundial e existe uma enorme oportunidade para o Brasil ocupar esse espaço. Quem chegar primeiro vai liderar esse mercado.”

A executiva também falou sobre a tecnologia desenvolvida pela Brazilian Nickel para processamento de níquel laterítico, baseada em lixiviação de baixo consumo de água e energia, reduzindo custos operacionais e oferecendo uma alternativa mais sustentável para a produção no país.

Construção de uma nova narrativa para a mineração

Já o Country Manager da St. George Mining, Thiago Amaral, concordou com a avaliação de que o financiamento representa um dos principais gargalos para o setor. Ele explicou que um dos desafios tecnológicos enfrentados pela companhia é produzir terras raras a partir dos rejeitos de nióbio, agregando valor a materiais que anteriormente não eram aproveitados.

Amaral também defendeu que o setor mineral precisa investir na construção de uma narrativa mais próxima da sociedade.

Segundo ele, é fundamental demonstrar às comunidades os benefícios econômicos e sociais proporcionados pelos empreendimentos minerais, fortalecendo o diálogo e ampliando a percepção sobre a contribuição da mineração para o desenvolvimento regional.

Janela estratégica para o Brasil

O avanço da transição energética está acelerando a demanda global por minerais críticos, abrindo uma janela histórica para que o Brasil consolide sua posição como fornecedor estratégico para as cadeias globais de tecnologia, energia limpa e mobilidade elétrica.

Com reservas minerais de classe mundial, projetos sustentáveis, inovação tecnológica e potencial para ampliar o processamento industrial, o país reúne condições para transformar sua vantagem geológica em liderança econômica, desde que consiga ampliar investimentos, acelerar o licenciamento e fortalecer políticas que incentivem a industrialização e a agregação de valor aos minerais produzidos em território nacional.

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