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Bolsa brasileira se beneficiou de recalibragem de portfólios concentrados em IA, diz Itaú BBA

3 de agosto de 2026

Por Jean Mendes

São Paulo, 03/08/2026 – Com a busca por uma diversificação maior dos investidores globais, a Bolsa brasileira se beneficiou com a redução da exposição a ativos ligados à inteligência artificial (IA). Embora a tese de crescimento dessas companhias siga bem fundamentada, a forte valorização acumulada e o aumento da concentração dos portfólios levaram parte dos gestores globais a buscar uma recalibragem de suas posições. Esse movimento ganhou força em julho, com uma correção relevante das ações de semicondutores e a Bolsa brasileira capturou cerca de R$ 3,3 bilhões até o último dia 29, segundo a carta do gestor do Itaú BBA.

“A leitura predominante é que o movimento não representa uma deterioração da perspectiva de crescimento do setor [IA], mas uma reprecificação de expectativas após um período de valuations mais esticados”, escrevem os Estrategistas de Ações para pessoa física do Itaú BBA Victor Natal e Mathias Dabdab Venosa.

Segundo a carta, justamente neste processo de diversificação, o Brasil voltou a aparecer como alternativa, apesar dos riscos associados aos juros elevados e à incerteza fiscal. “A Bolsa brasileira segue negociando a múltiplos comprimidos e oferece exposição a setores pouco correlacionados ao tema de tecnologia”, afirmam os profissionais.

Outro ponto abordado está relacionado à inflação local, que mostrou desaceleração nas últimas leituras, o que reforçou as apostas em um novo corte da Selic na reunião de agosto. “Nosso time Macro passou a esperar uma taxa ao fim do atual ciclo em 13,75% a.a., ante expectativa anterior de 14% a.a.. Embora seja uma mudança pequena no número, representa uma indicação positiva para a narrativa de ativos domésticos”. Uma Selic final em 2026 na casa de 13,75% a.a. está em linha com o relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central.

Com relação à rentabilidade, a carteira Top 5 avançou 1,2% em julho e 2,7% em 2026. Já a Carteira Dividendos rendeu 2,2% em julho e 8,9% no ano. A Carteira Small Caps teve perdas de 9% no mês passado e acumula perdas de 13,3% em 2026. Por fim, a Carteira ESG também registrou perda de 0,9% no último mês e recuou 6,2% no ano. Como comparativo, o Ibovespa registrou alta de 3,5% em julho e avançou 10,5% em 2026.

Contato: jean.mendes@broadcast.com.br

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