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Para 92% dos líderes empresariais brasileiros, eletrificação é caminho para ganhar competitividade global.
15 de junho de 2026

Imagem: Envato / Reprodução.
Brasília, 15 de Junho – Uma pesquisa global com 1.994 líderes empresariais de 18 países revela forte apoio do setor privado para acelerar a eletrificação da economia. Os resultados fazem parte do relatório “Powering Up: Business Perspectives on Electrification” (“Acelerando a eletrificação: perspectivas empresariais”), lançado simultaneamente em diversos países, incluindo o Brasil, no dia 15 de junho de 2026.
No Brasil, 92% dos líderes empresariais entrevistados afirmam que a eletrificação tornará suas empresas mais competitivas e 96% acreditam que ela impulsionará o crescimento dos negócios. O levantamento também associa a eletrificação a ganhos em segurança energética e inovação, enquanto os resultados globais apontam expectativa de impacto positivo sobre o crescimento econômico. A pesquisa ouviu executivos de organizações de médio e grande porte, com receita anual de pelo menos US$ 1 milhão.
A pesquisa foi encomendada pela E3G, pela We Mean Business Coalition e pela Global Renewables Alliance (GRA), organizações do setor de renováveis.
Os resultados do estudo refletem uma crescente mobilização do setor de energias renováveis no Brasil em apoio à eletrificação limpa. Um exemplo dessa atuação ocorreu em 27 de maio, quando o Comitê de Mobilização do Setor de Energias Renováveis, por meio do movimento Eletrifica Brasil, uma iniciativa nacional vinculada a uma campanha global coordenada pela Global Renewables Alliance (GRA) e apoiada por 24 organizações, apresentou, em Brasília, uma carta dirigida aos futuros candidatos à Presidência da República. O documento propõe a substituição dos combustíveis fósseis pela eletrificação com fontes renováveis, a superação dos gargalos de transmissão e armazenamento de energia e o alinhamento entre as políticas energética e industrial.
O relatório representa uma contribuição importante para orientar como o país pode avançar na expansão das energias renováveis e ampliar a participação efetiva do setor privado nesse esforço, na opinião de Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e presidente do Comitê de Mobilização do Setor de Renováveis da GRA:
“O Brasil reúne condições únicas para liderar a eletrificação e a descarbonização da economia, graças à sua matriz elétrica limpa e competitiva, à abundância de recursos renováveis e à capacidade de atrair investimentos em infraestrutura. Essas características geram um importante bônus social, ao garantir acesso à energia renovável para 97% da população por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN), e um estratégico bônus verde, ao viabilizar a produção de bens e serviços de baixo carbono e alto valor agregado, como data centers sustentáveis, hidrogênio verde e processos industriais eletrificados. O desafio agora é transformar essas vantagens comparativas em vantagens competitivas, por meio de políticas públicas e ações concretas que acelerem a eletrificação e a descarbonização da economia, fortaleçam a competitividade do país e impulsionem o desenvolvimento econômico e social”, diz Gannoum.
Para Natalia Oliveira, Head de Policy and Advocacy para a América Latina na GRA, os dados revelados pela pesquisa geram maior confiança interna para “o Brasil transformar sua matriz elétrica renovável em uma vantagem competitiva global. A eletrificação limpa pode impulsionar a indústria, atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer a segurança energética do país”.
A pesquisa da E3G, We Mean Business Coalition e GRA identifica junto aos executivos que a crescente demanda do setor empresarial pela eletrificação limpa como estratégia para fortalecer a segurança energética, a competitividade e o crescimento econômico.
Para Lieven Cooreman, CEO da Atlas Agro, fabricante de fertilizantes com energia renovável, “a eletrificação é um vetor estratégico para a reindustrialização de baixo carbono em setores de difícil descarbonização, como fertilizantes e aço. No projeto Uberaba Green Fertilizer demonstramos que é possível substituir o gás natural por eletricidade renovável na produção de fertilizantes nitrogenados com competitividade econômica. Essa tecnologia abre caminho para uma nova indústria baseada em energia limpa, reduz emissões e fortalece a segurança alimentar e a posição do Brasil no mercado global”.
João Brito Martins, CEO da EDP na América do Sul, também destaca as condições favoráveis do país para avançar na eletrificação. “O Brasil é um exemplo de que é possível ter um sistema elétrico renovável, robusto e seguro. Essa é uma grande vantagem para sua economia, que pode ser ainda mais potencializada com o avanço da eletrificação. Ao continuar investindo no fortalecimento de suas redes e manter uma matriz elétrica majoritariamente renovável, o Brasil pode se posicionar globalmente como uma economia que faz da transição energética um de seus principais diferenciais competitivos”.
O sistema elétrico brasileiro é amplamente renovável e o crescimento da energia eólica e solar coloca o país em posição de liderança global no fornecimento de eletricidade limpa. A participação da eletricidade no consumo final de energia é de 20% a 21%, nível próximo ao da União Europeia (22%), mas distante da meta oficial de 81% até 2055.
A volatilidade dos preços do petróleo e as tensões geopolíticas reforçam a eletrificação renovável como estratégia para reduzir exposição a choques externos. O Brasil já viveu esse cenário na pandemia de Covid-19, quando o aumento dos preços de energia acrescentou R$ 17 bilhões à conta energética do governo. Os executivos brasileiros reconhecem o risco e 74% afirmam que o país é excessivamente dependente da importação de combustíveis fósseis. Já 86% consideram a eletrificação limpa ainda mais urgente diante das tensões geopolíticas.
A segurança energética aparece como o principal benefício percebido pelos executivos brasileiros. Quando precisam escolher entre renováveis e combustíveis fósseis, 85% optam pela primeira alternativa. Globalmente, 91% afirmam que a eletrificação melhoraria a segurança energética e 90% esperam que suas operações estejam eletrificadas dentro de uma década.
No Brasil, 96% apoiam modernizações da infraestrutura da rede elétrica, 89% defendem a digitalização da rede e 91% acreditam que esses investimentos tornarão a energia mais acessível no longo prazo. Entre os instrumentos mais demandados estão planejamento governamental de longo prazo, redução dos preços da eletricidade e apoio financeiro para aquisição de equipamentos.
O estudo também mostra que as empresas já estão sentindo os efeitos das barreiras de mercado e da incerteza regulatória. No Brasil, 52% dos executivos afirmam que esses obstáculos já levaram suas empresas a adiar ou cancelar projetos de eletrificação. A expansão dessa agenda depende, portanto, de um ambiente mais estável para a tomada de decisões de investimento.
Entre os líderes empresariais brasileiros, 75% apontam as frequentes mudanças nas políticas governamentais como um fator determinante para suas decisões de investimento, enquanto 79% afirmam que suas empresas estão avançando na eletrificação em um ritmo superior à capacidade de preparação das instituições e da infraestrutura. Em nível global, 72% acreditam que as políticas públicas precisam acompanhar melhor essa agenda, e 62% consideram transferir suas operações para economias que ofereçam um ambiente mais favorável à eletrificação.
Sobre a Global Renewables Alliance (GRA)
Reúne associações internacionais do setor de energias renováveis para apoiar políticas, parcerias e investimentos voltados à expansão das fontes renováveis. Mais informações em globalrenewablesalliance.org
Sobre a E3G
Think tank independente que atua com governos, empresas e sociedade civil para impulsionar políticas e coalizões voltadas à segurança climática. Mais informações em www.e3g.org
Sobre a We Mean Business Coalition (WMBC)
Coalizão global criada em 2014 que mobiliza empresas e organizações parceiras em favor de políticas climáticas e estratégias corporativas alinhadas à transição energética. Mais informações em www.wemeanbusinesscoalition.org
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