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20 de agosto de 2026
Por Eduardo Puccioni
São Paulo, 20/08/2026 – O IDA-DI, índice de debêntures indexadas ao CDI, foi o indicador de renda fixa que apresentou o melhor desempenho em julho, refletindo uma maior inclinação da curva de juros, quando investidores apostavam na continuidade dos cortes da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa de 14,25% para 14% em 5 de agosto. Por outro lado, nesse mesmo período, o IHFA, que agrega fundos multimercados, foi o único no campo negativo.
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O IDA-DI avançou 1,39%, o equivalente a 119% do CDI, e liderou também o acumulado em 12 meses (14,99% contra 14,78% do CDI). Segundo Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, dois fatores explicam o movimento: “O primeiro é o carrego, já elevado por conta do próprio CDI. O segundo é a compressão dos prêmios de crédito”, indicou ela, em relatório.
O CDI rendeu 1,16% no mês, em linha com o nível de Selic vigente ao longo de julho. “Quem estava alocado em Tesouro Selic ou em CDB de liquidez diária que paga próximo de 100% do CDI capturou praticamente esse resultado sem grande impacto da curva de juros”, explica Figueiredo. As LCIs e LCAs costumam remunerar um porcentual menor do CDI, então não são equivalentes diretos em rentabilidade e em liquidez.
Na sequência, entre os indexados à inflação, o destaque ficou com o IMA-B 5, que subiu 1,13%. O desempenho foi explicado pelo fechamento das taxas reais no trecho curto, que gerou ganho de marcação a mercado além do carrego. A NTN-B com vencimento em 2029 terminou julho a 8,27%, ante 8,6% no mês anterior.
O índice de prefixados do Tesouro, IRF-M, avançou 0,74% em julho (12,37% em 12 meses). Segundo Figueiredo, o indicador foi beneficiado pelo comportamento do trecho curto da curva de juros, mais sensível ao ciclo de política monetária. “Na prática, os ganhos ficaram concentrados em vencimentos mais curtos, enquanto a ponta longa seguiu pressionada por incertezas fiscais e pelo cenário externo”, afirmou.
O IDA-IPCA teve alta de 0,68%, enquanto a poupança rendeu 0,67% em julho (8,35% em 12 meses), cerca de 58% do CDI. Já o IMA-B 5+ avançou apenas 0,12%, evidenciando como o prazo foi determinante no mês.
Na ponta fraca, o IHFA caiu 0,30% em julho, único resultado negativo entre os indicadores acompanhados. O número indica que, no mês, o risco adicional dos multimercados não se converteu em prêmio frente ao CDI. No entanto, Figueiredo chama atenção para o fato de que, por agregar estratégias diversas (macro, long & short, quantitativo), o desempenho mensal isolado tem leitura limitada. Em 12 meses, o IHFA acumula 10,44%.
Contato: eduardo.puccioni@estadao.com
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