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Coluna do Estadão:Enel SP prepara defesa final para manter concessão e cita alta de investimentos

18 de agosto de 2026

Por Roseann Kennedy e Eduardo Barretto, do Estadão

Às vésperas de apresentar sua defesa final à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no processo que pode recomendar o fim da concessão, a distribuidora Enel SP, que atende a Grande São Paulo, pretende alegar que aumentou seus investimentos de R$ 1,6 bilhão em 2023 para R$ 2,8 bilhões em 2025, alta de 73%. Segundo apurou a Coluna do Estadão, a companhia sustentará nesta quarta-feira, 19, à Aneel que tem condições de manter o contrato e que investiu R$ 1,5 bilhão no primeiro semestre, mesmo durante o processo na Aneel.

Os dados da Enel SP obtidos pela Coluna também apontam que a empresa teve a maior alta de investimentos no setor de 2024 a 2025. Ainda segundo a companhia, o tempo médio de atendimento a emergências caiu 55% desde 2023, e no primeiro semestre deste ano foi o sétimo melhor resultado do País.

A melhora nos números é explicada, em parte, pela má fase enfrentada pela companhia até 2023, quando os investimentos eram menores do que o previsto. Segundo o Ministério Público de São Paulo, a Enel deixou de investir R$ 602 milhões em infraestrutura no Estado de 2020 a 2022. Em 2023, a empresa investiu R$ 1,6 bilhão, 16% a menos do que em 2022.

Os baixos investimentos fizeram o serviço piorar naquela época. Em 2023, por exemplo, o índice da Enel de interrupções no serviço em 24 horas era de 12,6%, um patamar elevado, que caiu para 1,2% neste ano.

Em nota, a Enel contestou o Ministério Público e disse que “de 2021 a 2025 a companhia investiu cerca de R$ 10 bilhões, montante 2,6 vezes superior ao investido nos cinco anos anteriores à aquisição da Eletropaulo pela Enel”.

Empresa teve três grandes apagões na Grande São Paulo

O processo contra a Enel na Aneel acontece depois de três grandes apagões na Grande São Paulo. Em dezembro de 2025, 4 milhões de imóveis foram afetados. A energia só voltou em todos os endereços após seis dias.

Após a empresa italiana apresentar as alegações finais, a área técnica da agência dará um parecer e a diretoria da Aneel votará se recomenda a perda do contrato com a Enel. Se isso acontecer, a palavra final cabe ao Ministério de Minas e Energia. Não há prazo para isso acontecer. O País nunca cancelou uma concessão de energia elétrica.

A Enel tenta prorrogar o contrato para atender 24 municípios da Grande São Paulo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rechaça a medida.

“Nós vamos lutar com todas as forças até o fim para varrer essa concessionária ruim do nosso Estado”, disse Tarcísio no ano passado. Ele já afirmou ser “absolutamente crítico” aos serviços da concessionária.

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