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Absolar: medidas de operação emergencial do ONS são sintomas de problema estrutural mais profundo

7 de junho de 2026

Por Juliana Garçon

Rio, 07/06/2026 – As medidas de operação emergencial estabelecidas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) neste domingo para gestão de excedentes junto às redes de distribuição de energia elétrica, são sintomas de um problema estrutural mais profundo, na avaliação da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

O ONS informou ontem que acionou pela primeira vez o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).Segundo o órgão, a medida foi tomada a partir da previsão de cargas reduzidas para este domingo, com o objetivo de atuar preventivamente e evitar desequilíbrios no sistema.

A entidade destacou que as condições climáticas deste domingo, com alta irradiação solar combinada à baixa demanda do feriado prolongado, não são uma anomalia: “É um cenário previsível, recorrente em países que avançaram com sucesso na transição energética”.

“A diferença é que esses países já se adaptaram a este novo normal, adotando instrumentos de flexibilidade e armazenamento de energia elétrica adequados. O governo brasileiro, por outro lado, ainda não entregou o que o setor elétrico reivindica há anos”, complementou a entidade.

Segundo Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar, o sistema elétrico nacional cresceu em geração renovável solar, eólica, hídrica a fio d’água, biomassa e biogás, porém, sem o correspondente investimento em mecanismos de flexibilidade, armazenamento de energia elétrica e controle de carga. “O desequilíbrio não é resultado da expansão de apenas uma fonte, tecnologia ou modalidade de geração, mas da falta de política pública estrutural adequada para acompanhar essa natural expansão”, pontua em nota.

A Absolar aponta três gargalos: a tributação de mais de 70% incidente sobre os sistemas de armazenamento de energia elétrica, a falta de leilões de Reserva de Capacidade para Armazenamento e o atraso estrutural na modernização do setor.

“O Brasil não realizou até o momento nenhum leilão específico para a contratação, em larga escala, de baterias, capazes de lidar com os excedentes de geração renovável nos períodos de baixa carga, dando origem exatamente ao cenário que se manifesta hoje”, frisou a entidade.

Contato: juliana.garco@estadao.com

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