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Análise Política: Alcolumbre retoma relação com Lula mirando eleição no Senado, Master e emendas

14 de agosto de 2026

Por Gabriel Hirabahasi

A reaproximação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem como pano de fundo sua tentativa de recondução à presidência da Casa no ano que vem, as investigações sobre o Banco Master e o papel das emendas parlamentares no Orçamento nos próximos anos. Esses três assuntos estão no topo das prioridades de Alcolumbre (não necessariamente nessa ordem). É preciso tê-los em vista para entender seus movimentos no tabuleiro político.

Lula e Alcolumbre se reuniram pela primeira vez em meses na casa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 4 de agosto. Foi um longo tempo de afastamento após o presidente do Senado ter atuado diretamente para impor uma derrota histórica ao presidente da República: a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF.

Lula ficou possesso com o episódio. Mas, seguindo seu script político, evitou agir de cabeça quente. Tampouco atuou para se reaproximar de Alcolumbre. Deixou o tempo fazer seu serviço.

Em Brasília, correm boatos de que Alcolumbre pode ser implicado a qualquer momento no caso Master. O senador nega veementemente qualquer acusação contra ele nesse sentido. Pouco sobre ele foi vazado até agora do inquérito em andamento na Polícia Federal. É bom lembrar que o caso Master também tem, em seu entremeado, o ministro Alexandre de Moraes, cuja mulher advogou para Vorcaro.

A forma como a Polícia Federal tem atuado na investigação, em especial o ritmo do processo após a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, levantou em diversos políticos a suspeita de que critérios que extrapolam o rigor técnico estejam sendo levados em consideração no caso. Critérios estes que atendem aos interesses de Lula, ainda que não haja nenhuma comprovação de que ele esteja usando a máquina da PF a seu favor.

A aliança com o presidente, mesmo que implicitamente, poderia ajudar Alcolumbre nesse caso. Manter-se na presidência do Senado também daria a ele mais prerrogativas em um eventual conflito entre o Judiciário e o Legislativo por causa do banco de Vorcaro.

De volta à linha do tempo, no dia 5 de agosto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como o candidato a vice em sua chapa. Gaspar seria candidato ao Senado em Alagoas. Competiria com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), favorito para conquistar uma das vagas, e com o deputado Arthur Lira (PP-AL). Sua saída do tabuleiro favorece Lira – e, indiretamente, cria um problema adicional pra Alcolumbre.

O PL trabalha ativamente para aumentar sua bancada no Senado Federal. Há uma percepção majoritária em Brasília de que há boas chances de isso acontecer. Atualmente, o partido tem 16 senadores. A depender do tamanho da bancada eleita, pode ser o principal concorrente de Alcolumbre na disputa pela presidência do Senado a partir de 2027. Ter na Casa Alta do Congresso uma figura como Lira, que é experiente, com bom trânsito entre esquerda e direita e próxima ao bolsonarismo, aumenta esse risco, já que ele também pode pleitear a presidência.

Poucos dias depois, no dia 10 de agosto, o ministro André Mendonça, do STF, disse, em um evento promovido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que as emendas parlamentares são uma “evidente invasão” por parte do Legislativo.

“Se você retira de um modo substancial a capacidade do Executivo de governo municipal, estadual ou federal de fazer as escolhas políticas – porque a escolha política depende do meio financeiro – você inviabiliza a escolha política”, afirmou o ministro.

Trata-se de um sinal claro de alinhamento de Mendonça com o ministro Flávio Dino, relator no STF de ações que questionam o crescimento e outras regras novas sobre as emendas parlamentares. Dino já deu indicativos contra o aumento e a favor de regras de transparência das emendas. O recado dado por Mendonça é que o apoio ao relator fura a bolha dos ministros mais alinhados com ele no Supremo.

Há também uma percepção em Brasília de que, caso Lula seja reeleito, o tema das emendas pode ser discutido no STF, em uma repetição da aliança entre o Executivo e o Judiciário que ficou evidente nos primeiros anos do terceiro mandato do petista.

Tudo isso considerado, fica claro que os sinais da política nos três temas de maior importância na agenda de Alcolumbre são negativos para o senador. Depois de meses de insatisfação e afastamento do governo – ele chegou a romper com o ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner, amigo pessoal de Lula e também encrencado com Master -, o presidente do Senado parece ter voltado a ficar disposto a conversar com o presidente.

Depois do encontro na casa de Moraes, Alcolumbre e Lula fizeram um gesto político ao se reunirem, na presença do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e da líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), no Palácio da Alvorada. A reunião foi uma forma de os dois explicitarem essa retomada de conversas.

Qualquer retomada de diálogo, pelo lado de Alcolumbre, passará por garantir sua reeleição, escapar do caso Master e manter o poder das emendas parlamentares. Como em toda negociação, provavelmente ele não conseguirá tudo. Lula tem interesse em muitas coisas, caso seja reeleito. A principal delas: ter um aliado no comando do Congresso para ter estabilidade e cobrar favores quando precisar.

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