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29 de junho de 2026
Por Luísa Laval
São Paulo, 29/06/2026 – O BTG Pactual avalia que a adoção do Open Finance no Brasil acelerou acima do esperado e que o sistema começa a sair de uma fase mais regulatória e de infraestrutura para se tornar uma ferramenta comercial relevante para aquisição de clientes, concessão de crédito, personalização de produtos e jornadas de pagamento. A avaliação consta de nota setorial após reunião com Ana Carla Abrão, CEO do Open Finance Brasil.
Segundo o relatório assinado por Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, o ecossistema acumula cerca de 120 milhões de consentimentos (autorizações para compartilhamento de dados), o que o BTG estima equivaler a 100 milhões de pessoas únicas. O Open Finance também processa cerca de 11 bilhões de chamadas de API por semana – a sigla para Application Programming Interface, a interface que permite que sistemas de instituições financeiras troquem dados e iniciem pagamentos de forma padronizada.
O BTG afirma que a escala se fortaleceu por efeito de rede: quanto mais dados disponíveis, melhores os casos de uso, o que aumenta o engajamento de consumidores e instituições. O banco diz ainda que, embora novos entrantes tenham sido os primeiros a explorar mais intensamente o Open Finance, grandes bancos passaram a usar o sistema com mais peso ao perceber que ficar fora poderia virar desvantagem competitiva em inteligência de cliente e oferta de produtos. Hoje, segundo o BTG, as instituições incumbentes estão entre as maiores usuárias de APIs de compartilhamento de dados e de iniciação de pagamentos.
Entre os benefícios emergentes, o relatório destaca melhora na estimativa de renda e na análise de risco de crédito (underwriting) – especialmente para informais e autônomos – graças ao uso de dados de conta e transações em tempo real. O BTG menciona, porém, uma preocupação levantada pela gestão do ecossistema com a “replicação” de limites de crédito, quando instituições igualam limites pré-existentes sem reavaliar o risco.
O BTG também aponta a portabilidade de crédito como uma oportunidade de médio prazo. A funcionalidade já está disponível para empréstimos pessoais sem garantia, mas a adoção ainda é limitada. A jornada do usuário foi desenhada para mostrar a economia mensal potencial e prevê portabilidade automática caso a instituição de origem não responda em até dois dias. Já a portabilidade do consignado (desconto em folha) foi adiada por complexidade operacional, como presença de intermediários e necessidade de acesso à margem consignável.
Outro ponto citado foi a transparência para o consumidor. Os analistas afirmam que o ecossistema trabalha para melhorar a comunicação sobre permissões ativas, inclusive porque parte dos clientes pode autorizar o compartilhamento durante um pagamento sem perceber que o consentimento pode continuar válido depois. Segundo a nota, o regulador deve lançar até o fim do ano uma interface centralizada para o consumidor visualizar consentimentos ativos.
O banco também diz que a combinação de dados e pagamentos foi decisiva para o avanço do Open Finance, ao permitir jornadas mais fluidas – por exemplo, iniciar um pagamento junto com acesso a dados em tempo real. O relatório cita que ainda existem falhas de execução em alguns fluxos, como rejeição por contraparte ou instabilidade de API, mas aponta que houve investimento em monitoramento e confiabilidade da infraestrutura no último ano.
Por fim, o BTG observa que a adoção por pequenas e médias empresas ainda está em fase mais inicial, mas já superou 2 milhões de consentimentos. O ecossistema é financiado por cerca de 750 instituições participantes, com os maiores incumbentes contribuindo com aproximadamente 60% do total, segundo o relatório.
Contato: luisa.laval@estadao.com
*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast
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