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11 de agosto de 2026
Por Daniel Weterman, do Estadão
Brasília, 11/08/2026 – O governo do Distrito Federal quer mandar um recurso anunciado como parte do socorro ao Banco de Brasília (BRB) para financiar empresas de ônibus que operam o transporte coletivo em Brasília.
A proposta, enviada pela administração distrital para a Câmara Legislativa do Distrito Federal, aumenta a incerteza sobre o futuro do BRB, que enfrenta um rombo deixado pelo Banco Master na instituição. Procurados, o governo do DF e a Secretaria de Economia ainda não se manifestaram.
O governo do DF arrecadou R$ 1 bilhão com a venda de créditos da dívida ativa no mercado financeiro (a chamada securitização). Metade foi destinada ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev). A administração quer destinar a outra metade, um total de R$ 508 milhões, para subsidiar empresas de ônibus.
O dinheiro da securitização havia sido anunciado inicialmente como um “plano B” para o BRB, caso o Distrito Federal não conseguisse um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O empréstimo está travado. Depois, a securitização foi anunciada como um recurso complementar para cobrir o rombo do Master no BRB. O governo esperava arrecadar R$ 4 bilhões com a operação rapidamente, o que não aconteceu.
Por lei, metade do dinheiro da securitização tem de ser destinada para a previdência e a outra metade deve ser aplicada em investimentos. A restrição por si só gerou questionamentos, já que um aporte no banco não poderia ser classificado como investimento. O governo avisou o BRB que classificaria o recurso como investimento e que essa parte iria para o banco.
O subsídio para o transporte também não poderia ser enquadrado como investimento. Até 2025, os recursos para as empresas de ônibus eram classificados como despesas correntes. A situação está sendo questionada internamente por consultores da Câmara Legislativa. O governo quer votar o projeto ainda nesta terça-feira, 11.
Sem dinheiro nem de empréstimo nem de securitização, a incerteza sobre o futuro do BRB aumentou. Em carta enviada à governadora Celina Leão, o FGC exigiu a publicação do balanço financeiro do Banco de Brasília para avaliar a concessão de financiamento. A governadora, por sua vez, disse que, se o balanço fosse divulgado antes do aporte, o banco seria liquidado.
Na quinta-feira, 13, haverá uma reunião no Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar do assunto. O ministro Luiz Fux é relator de uma ação protocolada pelo Distrito Federal para forçar a União a conceder garantias para o empréstimo.
Um acordo foi assinado para a concessão do empréstimo pelo FGC, sem aval da União, mas com aval de bancos públicos e privados. As instituições privadas, porém, se recusam a entrar como avalistas da operação, como mostrou o Estadão. O governo do DF apresentará resultados parciais das contas de 2026 para convencer a União e bancos de que consegue pagar o empréstimo.
O governo distrital havia prometido socorrer o BRB até abril, o que não aconteceu. No próximo domingo, 16, começa oficialmente a campanha eleitoral, o que aumentou a pressão sobre a governadora para uma solução para o BRB.
Adversários acusam Celina de querer empurrar a crise – ou até mesmo a falência do Banco de Brasília – para depois das eleições. “Preocupação que eu tenho é o atual governo estar empurrando com a barriga para deixar o BRB quebrar depois da eleição. Era uma preocupação, agora eu tenho certeza”, disse o candidato do PSD ao governo, José Roberto Arruda.
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