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7 de agosto de 2026
Por Antonio Perez
São Paulo, 07/08/2026 – O dólar exibiu queda firme frente ao real nesta sexta-feira, 7, acompanhando a onda de desvalorização da moeda americana no exterior, após dados fracos do mercado de trabalho nos EUA esfriarem as apostas em alta da taxa de juros pelo Federal Reserve em setembro. O real, que costuma brilhar em ambiente de apetite ao risco, desta vez não figurou entre as divisas emergentes com os maiores ganhos.
Com mínima de R$ 5,0745 pela manhã, o dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,46%, a R$ 5,0836 – abaixo da linha de R$ 5,10 pela primeira vez após três pregões. Apesar do recuo nas últimas sessões, a moeda americana encerra a semana, que corresponde aos cinco primeiros pregões de agosto, com alta de 0,26%, após queda de 1,79% em julho. No ano, as perdas são de 7,39%.
O tropeço do real na semana é atribuído ao comportamento do petróleo e aos atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos, além da cautela que permeou os negócios antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que anunciou na última quarta-feira, 5, corte da taxa Selic de 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano. Embora tenham avançado cerca de 1% nesta sexta-feira, as cotações do petróleo terminam a semana com baixa firme, com expectativas de acordo para reabertura do Estreito de Ormuz.
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, observa que o comportamento do mercado global de moedas foi ditado hoje inteiramente pelo resultado do relatório de emprego (payroll) nos EUA, com a queda global do dólar e o recuo das taxas dos Treasuries abrindo espaço para a apreciação do real.
“Já era esperado um arrefecimento do mercado de trabalho, mas o resultado surpreendeu ao mostrar uma correção muito mais aguda, com destruição de vagas. Tanto que a curva de juros americana já passou a indicar possibilidade maior de que o Fed opte pela manutenção em setembro”, afirma Galhardo, ressaltando que o real também deve encontra suporte na taxa de juros real doméstica. “Com a inflação bem comportada, a taxa real segue elevada mesmo com os cortes da Selic promovidos pelo Copom.”
O payroll mostrou que houve fechamento de 23 mil vagas nos EUA em julho, contrariando as projeções colhidas pelo Projeções Broadcast, que apontavam criação de 63 mil a 130 mil empregos, com mediana de 80 mil. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, por conta da queda da taxa de participação no mercado de trabalho.
Sob o impacto do payroll, as apostas em alta de juros pelo Fed em setembro deixaram de ser majoritárias, caindo da casa de 54% para cerca de 46%, segundo ferramenta de monitoramento FedWatch, do CME Group. As perspectivas ainda são de aperto monetário neste ano, com mais de 50% de chances de elevação da taxa básica em outubro.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava 0,37% por volta das 17h, aos 99,563 pontos, após mínima aos 99,402 pontos. O Dollar Index cai cerca de 0,25% neste início de agosto, em parte por conta da valorização do iene, após intervenção conjunta dos EUA e do Japão para apoiar a moeda japonesa.
“O resultado do payroll dá suporte à nossa previsão de uma pausa prolongada pelo Federal Reserve, mas é preciso lembrar que, antes da reunião de setembro, temos mais um relatório de emprego e duas leituras de inflação, além do Simpósio de Jackson Hole”, afirma, em nota, o economista-chefe internacional do ING, James Knightley, acrescentando que a decisão do Fed provavelmente será mais influenciada pelos índices de preços.
Contato: antonio.perez@estadao.com
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