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Kepler Weber: ciclo negativo do agro pressiona preços no 2ºtri26; custo continua sob controle

13 de agosto de 2026

Por Julia Maciel

São Paulo, 13/08/2026 – A diretoria da Kepler Weber avalia que o agronegócio brasileiro está “mais perto do final do que do início” do atual ciclo negativo de rentabilidade, embora o horizonte imediato – para o segundo semestre de 2026 e para 2027 – ainda se desenhe desafiador. A leitura foi compartilhada pelo diretor-presidente da companhia, Bernardo Nogueira, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, realizada hoje (13). Segundo o executivo, o principal gargalo da fabricante de equipamentos de armazenagem no período continuou sendo a pressão sobre os preços, provocada pela retração do setor produtivo, enquanto os custos fabris e as despesas operacionais seguem sob rigoroso controle.

Nogueira destacou que a rentabilidade dos produtores de grãos se encontra em patamares substancialmente inferiores aos observados em crises passadas, como a de 2015/16, pressionada por preços da soja em mínimas históricas em termos reais e por juros elevados. “Olhando para os ciclos passados do agro, que duram entre três e cinco anos, o setor como um todo já passou por quatro anos mais difíceis. No curto prazo, 2026 e provavelmente 2027 ainda serão bastante desafiadores, mas a maré vai virar e a Kepler vai sair muito fortalecida”, afirmou o CEO.

Na mesma linha, o diretor financeiro e de Relações com Investidores, Renato Arroyo, explicou que a retração de 31,7% no Ebitda do segundo trimestre de 2026 (para R$ 25,9 milhões) reflete diretamente a deterioração de preços no mercado comercial, e não ineficiência operacional. “A parte de custos e de eficiência fabril está muito bem estruturada na companhia. Temos um único problema, que se chama preço, fruto da recessão econômica no setor do agro. Quase toda a perda de lucro bruto vem daí”, pontuou o CFO. Para conter os impactos na margem, a empresa obteve R$ 16 milhões em redução de custos de produtos no acumulado do ano e manteve as despesas com SG&A em patamares semelhantes aos de 2024.

Como estratégia para atravessar o momento adverso e compensar a retração no segmento de Fazendas – cuja receita recuou 13,2% no trimestre e 25% no acumulado do ano -, a Kepler Weber tem acelerado a diversificação do portfólio. O vetor de crescimento no período foi a divisão de Agroindústrias, que avançou 17,9% no trimestre (para R$ 126,5 milhões), impulsionada por projetos na cadeia de biocombustíveis (biodiesel e etanol de milho, trigo e canola), como contratos com São Martinho, ALD e Soli 3. Segundo Nogueira, essa carteira já garante faturamento para 2026 e inclui projetos relevantes mapeados para 2027.

O CEO destacou ainda a resiliência da área de Reposição e Serviços (R&S), favorecida por reformas e manutenções do parque instalado. Nogueira prevê uma aceleração ainda maior desse negócio na segunda metade do ano, projetando que o segmento tem potencial para se tornar o segundo maior da empresa em 2026 e, futuramente, a principal fonte de receita da Kepler. Já sobre a divisão de Portos e Terminais – que recuou 50,1% no trimestre -, o executivo afirmou que a empresa possui um pipeline de propostas que supera R$ 500 milhões, hoje retido por atrasos em licenças ambientais e por decisões pendentes dos clientes, mas com expectativa de recuperação nas vendas no segundo semestre.

Por fim, no balanço, Arroyo ressaltou que a disciplina operacional permitiu encerrar o trimestre com caixa líquido de R$ 29,3 milhões e R$ 354,2 milhões em disponibilidades, com geração de caixa operacional de R$ 37,8 milhões no semestre. O executivo revelou ainda que a companhia conseguiu reduzir em 1 ponto porcentual o custo médio de sua dívida.

Com o Capex readequado para um ritmo mais moderado, após aportes elevados em tecnologia nos anos anteriores, a Kepler destinou 30% dos investimentos do trimestre a novos produtos – iniciativa que, segundo Nogueira, já faz com que os lançamentos dos últimos cinco anos respondam por 12% da receita total da empresa, ante 3% em 2022.

Contato: julia.maciel@estadao.com

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