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12 de agosto de 2026
Por Denise Luna
Rio, 12/08/2026 – A Associação Brasileira do Hidrogênio (ABH2) afirmou nesta quarta-feira, 12, que o Brasil dará um passo decisivo para disputar espaço no setor de hidrogênio de baixo carbono com a assinatura, prevista para hoje, do decreto que institui o Programa Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC).
“O País avança na criação de regras, instrumentos e maior previsibilidade para transformar seu potencial energético e industrial em projetos concretos, investimentos e empregos”, disse a entidade em nota.
Segundo a associação, o decreto fortalece o desenvolvimento do combustível ao defender a implementação de uma estratégia de neutralidade tecnológica, ou seja, sem definir uma rota específica, abrindo espaço para a reforma do gás natural com captura de carbono, a eletrólise da água, o biogás, o etanol e, futuramente, o hidrogênio natural, que ainda está em fase inicial de pesquisa.
Um levantamento realizado pela ABH2, por meio do projeto UK PACT, identificou 34 projetos de hidrogênio de baixa emissão com previsão de entrada em operação até 2035. Juntos, os empreendimentos têm potencial para produzir cerca de 4,3 milhões de toneladas por ano.
“Aproximadamente 88% dessa capacidade está concentrada no Nordeste, especialmente em complexos portuários, embora existam projetos previstos também no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil”, informou a associação.
O estudo mostra ainda que 24 desses projetos pretendem produzir e consumir o próprio hidrogênio, favorecendo a formação de polos industriais regionais e impulsionando o desenvolvimento econômico em diferentes partes do País.
O levantamento também aponta que a demanda potencialmente contratada até 2035 deve alcançar cerca de 3,7 milhões de toneladas, volume equivalente a aproximadamente 86% da produção projetada. De acordo com a ABH2, esse cenário indica um equilíbrio entre oferta e demanda superior ao observado em outros mercados, onde um dos principais desafios é garantir consumidores para o hidrogênio produzido.
“Hoje, o Brasil responde por cerca de 0,5% da produção mundial de hidrogênio, destinado principalmente ao consumo em refinarias e fábricas de amônia. Com o avanço do hidrogênio de baixa emissão de carbono, temos a oportunidade de mudar esse cenário”, disse em nota o presidente da ABH2, Paulo Emílio Valadão de Miranda.
Além de ser matéria-prima industrial, o hidrogênio também é utilizado como insumo energético e combustível para aplicações em diferentes setores, como transporte, geração de energia e indústrias de difícil descarbonização.
A associação destacou, porém, que apesar das perspectivas positivas, a maior parte dos projetos brasileiros ainda se encontra em fases iniciais de desenvolvimento.
Segundo a ABH2, 81% da capacidade prevista está em estágio conceitual ou de estudos de viabilidade; pouco mais de 18% já avançou para a etapa de detalhamento; e apenas 0,04% está atualmente em construção ou operação. “Esse panorama acompanha a realidade internacional”, ressaltou.
De acordo com o Global Hydrogen Review 2026, da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês)), apenas 12% dos projetos anunciados em todo o mundo para 2030 chegaram à decisão final de investimento ou iniciaram sua construção.
“Com o marco legal regulamentado, as prioridades da próxima etapa incluem a implementação efetiva das regras de certificação e cálculo de emissões ao longo da cadeia, a estruturação dos mecanismos previstos para o setor, a formação de mão de obra qualificada, o planejamento territorial dos polos de produção e consumo e a integração entre energia, indústria e transporte, assim, consolidando a posição do Brasil na nova geografia industrial da transição energética”, informou a ABH2.
Contato: denise.luna@estadao.com
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