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12 de agosto de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 12/08/2026 – O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, aumento de 21,9% ante as 389 solicitações feitas no mesmo período do ano passado, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira pela Serasa Experian. O avanço foi puxado principalmente pelos produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, segmento em que os pedidos cresceram 73,5% na comparação anual.
O indicador considera produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e empresas relacionadas à cadeia do agronegócio. Apesar da alta ante o primeiro trimestre de 2025, o número de pedidos ficou abaixo dos níveis observados em meados do ano passado. Foram 565 solicitações no segundo trimestre de 2025 e 628 no terceiro. No quarto trimestre, o total recuou para 408.
Em nota, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, afirmou que o cenário ainda reflete pressões sobre a situação financeira de produtores e empresas do setor, em um ambiente de crédito mais seletivo, custos de produção elevados e maior alavancagem. “Dessa forma, os pedidos voltaram a crescer no início de 2026, mas ainda não retomaram os níveis mais elevados observados em meados do ano passado. Daqui para o meio e o fim do ano, a evolução do cenário dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos”, disse.
Entre os produtores rurais pessoa jurídica, foram contabilizados 196 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março, ante 113 no mesmo período de 2025. Foi o maior crescimento anual entre os três perfis acompanhados pelo levantamento. No recorte por atividade, o cultivo de soja concentrou 137 solicitações, enquanto a criação de bovinos respondeu por 42.
O movimento foi diferente entre produtores rurais pessoa física. O grupo apresentou 182 pedidos no primeiro trimestre, queda de 6,7% ante os 195 registrados um ano antes. A categoria com maior número de solicitações foi a de produtores classificados como “sem propriedades”, com 60 casos. Segundo a Serasa Experian, o grupo pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural.
Na sequência aparecem pequenos proprietários, com 44 pedidos, grandes, com 41, e médios, com 37.
As empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio, por sua vez, registraram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, alta de 18,5% em relação aos 81 do mesmo período de 2025. As agroindústrias de transformação primária lideraram nesse grupo, com 23 solicitações, seguidas pelas indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e pelos serviços de apoio à agropecuária, com 15.
Mato Grosso concentrou o maior número de pedidos no recorte consolidado por Estado, com 135 solicitações no trimestre. Goiás apareceu em seguida, com 73, Paraná teve 50 e Mato Grosso do Sul, 38.
A liderança estadual varia de acordo com o perfil analisado. Entre produtores rurais pessoa jurídica, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul ficaram nas primeiras posições. Entre pessoas físicas, Mato Grosso também liderou, seguido por Paraná e Goiás. No grupo de empresas relacionadas à cadeia agro, Paraná, São Paulo e Mato Grosso concentraram o maior número de solicitações.
Segundo a metodologia da Serasa Experian, o indicador é elaborado a partir do levantamento trimestral de processos e dos CPFs e CNPJs envolvidos em pedidos de recuperação judicial relacionados ao agronegócio. Os registros são divididos entre produtores rurais pessoa física, produtores rurais pessoa jurídica cujo CNAE primário corresponde à atividade rural e empresas com CNAEs primários pertencentes a diferentes elos da cadeia agro.
A empresa ressalta que um mesmo processo pode envolver participantes de mais de um desses grupos. Por esse motivo, os números apresentados por perfil não devem ser somados para se chegar ao total de pedidos do setor.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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