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Abipesca/Eduardo Lobo: pescado pode ser nova estrela com mais produção e exportação

5 de agosto de 2026

Por Leandro Silveira

São Paulo, 05/08/2026 – O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, afirmou hoje que a cadeia brasileira do pescado reúne condições para se tornar “a nova estrela do agronegócio”, apoiada pelo amplo potencial de expansão da produção, do consumo interno e das exportações. A avaliação foi apresentada durante painel no Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), em São Paulo.

Segundo ele, o Brasil ainda ocupa uma posição modesta no mercado mundial, mas dispõe de recursos naturais e de uma base produtiva capaz de acelerar esse crescimento. “Quando a gente fala com os mercados, falamos com a proposta de ser a nova estrela do agronegócio”, afirmou. De acordo com Lobo, o objetivo é ampliar a presença do pescado brasileiro nas prateleiras internacionais e destravar novos mercados.

O executivo destacou que a produção mundial de animais aquáticos alcança cerca de 235 milhões de toneladas, enquanto o Brasil responde por menos de 1% desse volume. “Isso por si só já mostra uma possibilidade de crescimento muito grande”, disse.

No mercado doméstico, Lobo afirmou que o consumo brasileiro também oferece espaço para expansão. Segundo ele, a média nacional é de cerca de 10 quilos de pescado por habitante ao ano, metade da média mundial, de aproximadamente 20 quilos. “Ou seja, a gente pode dobrar a nossa produção”, afirmou. Ele acrescentou que o País utiliza menos de 2% de seu potencial de recursos naturais para a atividade, tanto na aquicultura quanto na pesca.

O presidente da Abipesca ressaltou ainda o potencial do comércio internacional. Segundo ele, as transações globais de pescado movimentam cerca de US$ 680 bilhões por ano, enquanto as exportações brasileiras somam aproximadamente US$ 400 milhões. “A gente tem condições de crescer dentro do Brasil e tem um mundo inteiro para conquistar”, afirmou.

Na avaliação de Lobo, a cadeia produtiva brasileira tem uma vantagem competitiva importante: a forte produção nacional de grãos, que sustenta a alimentação dos peixes cultivados. “A cadeia de grãos é fundamental para ser o nosso esteio, a nossa base de crescimento na piscicultura”, disse.

Apesar das perspectivas favoráveis, o dirigente afirmou que o setor ainda enfrenta entraves para acelerar sua expansão. Entre eles, citou a falta de linhas de crédito para ampliar a produção e renovar a frota pesqueira, além da necessidade de modernizar as indústrias para elevar a competitividade.

Lobo também afirmou que o Ministério da Agricultura deve publicar, em breve, um novo regulamento técnico para pescado congelado. Segundo ele, a medida deverá ampliar a competitividade do produto brasileiro, favorecer o acesso a novos mercados e contribuir para o avanço das negociações para abertura do mercado europeu. “O nosso horizonte é de crescimento. Contra estatística e números não há quem diga o contrário”, concluiu.

Contato: leandro.silveira@estadao.com

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