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Há dinâmica semelhante entre renda fixa e variável no Brasil, indica a TAG Investimentos

4 de agosto de 2026

Por Jean Mendes

São Paulo, 04/08/2026 – Em sua carta mensal, antecipada pela Broadcast, a TAG Investimentos destaca um estudo dos economistas Xavier Gabaix e Ralph Koijen sobre a “Hipótese dos Mercados Inelásticos”, teoria segundo a qual os preços das ações e de outros ativos financeiros são influenciados não apenas por seus fundamentos econômicos, mas também pelos fluxos de recursos que entram e saem dos mercados. Embora o estudo tenha como base o mercado norte-americano, a gestora aplica os conceitos da teoria ao brasileiro para explicar a dinâmica recente dos preços dos ativos locais.

Com base nessa abordagem, a TAG Investimentos avalia que há uma dinâmica semelhante entre os mercados de renda variável e de renda fixa no Brasil. Na Bolsa, o forte fluxo de capital estrangeiro tem impulsionado o Ibovespa, em um cenário no qual a demanda por ativos brasileiros supera a oferta de vendedores. Já no mercado de títulos públicos ocorre o movimento inverso: há uma oferta elevada de papéis e um número relativamente reduzido de compradores, o que mantém as taxas de retorno em patamares elevados.

“O resultado é que, quando um comprador relevante entra, não existe multidão de vendedores à espera. Para cada real comprado alguém precisa vender, isso é aritmética. Mas o preço que convence o vendedor relutante a se desfazer da posição é a variável de ajuste. Em um mercado onde ninguém quer mudar de lugar, o preço precisa andar muito para que pouca quantidade troque de mãos”, afirma a gestora na carta.

Segundo a gestora, a teoria dos mercados inelásticos ajuda a explicar um movimento observado recentemente no mercado brasileiro: a valorização da Bolsa mesmo em um cenário de deterioração dos fundamentos macroeconômicos. “A bolsa subindo com os fundamentos piorando deixa de ser um mistério”, afirma a TAG Investimentos na carta.

“O caso das Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs) é o espelho perfeito e talvez o exemplo mais didático de inelasticidade à brasileira. Aqui temos o inverso: fundamento presente, fluxo ausente. O juro real que esses títulos pagam hoje não é o veredito fino de um exército de arbitradores sobre o risco fiscal. É, em larga medida, o preço da cadeira vazia do comprador estrutural. Sem a demanda primária de sempre, o Tesouro precisa oferecer taxa maior para colocar papel novo em leilão”, indica o estudo.

No mercado secundário, segue, a dinâmica é semelhante. “Quando um investidor deseja vender NTN-Bs, encontra poucos compradores dispostos a assumir a posição imediatamente. Para que a negociação aconteça, o preço precisa cair ou, dito de outra forma, a taxa precisa subir”.

A TAG Investimentos resume esse movimento da seguinte forma: na Bolsa, o fluxo está presente e o fundamento, ausente. Já nas NTN-Bs, o fundamento está presente e o fluxo, ausente.

Por isso, o investidor com horizonte de longo prazo encontra uma oportunidade atrativa nas NTN-Bs, conhecidas como Tesouro IPCA+. Na avaliação da TAG Investimentos, esses títulos podem apresentar volatilidade no curto prazo em razão da marcação a mercado, mas esse desconforto temporário tende a ser justamente a fonte de retornos mais elevados ao longo do tempo.

Contato: jean.mendes@estadao.com

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