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Levantamento exclusivo do Broadcast Político, mostra que, entre janeiro e maio, presidente percorreu 34 cidades de 13 Estados
12 de junho de 2026
Por Gabriel de Sousa
Mesmo tendo aumentado o fluxo de viagens nacionais e adotado o costume de sair de Brasília nas sextas-feiras para anunciar investimentos do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se deslocou em menor quantidade e percorreu menos cidades que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos cinco primeiros meses de um ano eleitoral.
Levantamento exclusivo do Broadcast Político, usando as agendas disponibilizadas pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), mostra que, entre janeiro e maio deste ano, Lula fez 47 viagens pelo País. No total, o presidente percorreu 34 cidades de 13 Estados.
Já Bolsonaro, nos cinco primeiros meses de 2022, fez 54 viagens nacionais, ou seja, 14,9% a mais que o petista. O ex-presidente visitou 51 cidades em 20 Estados. O total de municípios percorridos pelo capitão reformado é 50% maior que o de Lula.
Na análise de Leandro Gabiati, cientista político da Universidade de Brasília (UnB) e diretor da Dominium Consultoria, os saldos das viagens não são necessariamente o aumento de votos, mas as agendas são ferramentas importantes para construir alianças nos Estados, além de reverter quadros de rejeição ou impulsionar colégios eleitorais onde já se há um bom cenário.
“Quando chega a campanha e a possibilidade de reeleição, ele (Lula) obrigatoriamente tem que aumentar essa movimentação”, afirma Gabiati.
Nas viagens feitas neste ano, Lula tem dado destaque para os três municípios com maiores colégios eleitorais do país. Para a cidade do Rio de Janeiro, ele foi seis vezes. Já para as cidades de São Paulo e Salvador, o petista desembarcou cinco vezes cada. Somente as três cidades representam um terço dos deslocamentos feitos pelo petista.
Já Bolsonaro, que percorreu mais cidades que Lula quando ele era o presidente que buscava a reeleição, foi três vezes a São Paulo, e duas vezes ao Rio e ao Recife. Nas outras 48 viagens, ele visitou um município diferente.
Por outro lado, ambos os presidentes viajaram mais para o Estado de São Paulo, que concentra 20% do eleitorado do País. Lula, neste ano, foi até o território paulista em 16 das 47 viagens, enquanto Bolsonaro foi em oito das 54.
Depois de São Paulo, Lula visitou com maior frequência o Rio de Janeiro (7), Bahia (6) e Minas Gerais (4). Não por coincidência, os quatro Estados são os maiores colégios eleitorais do País, concentrando 65% do eleitorado brasileiro, o que mostra o interesse político nas agendas de 2026.
Em reserva, um integrante da campanha da reeleição afirmou que a equipe tem um olhar especial para São Paulo, tendo em vista o papel decisivo que a região metropolitana da capital paulista teve nas eleições de 2022. O presidente também deve, no decorrer das próximas semanas, visitar outras capitais para, além de interagir com o eleitorado, articular a definição de palanques nos Estados.
Com o pleito se aproximando, Lula foi orientado a viajar mais pelo Brasil para se aproximar mais do eleitorado. O próprio presidente é crítico da concentração do governo em Brasília e cobra dos seus ministros que percorram os Estados para apresentar os feitos do seu mandato.
Os eventos pelo país passaram a ser preferencialmente agendados nas sextas-feiras, dia da semana em que Brasília fica esvaziada de políticos.
Das 22 sextas-feiras dos cinco primeiros meses do ano, Lula separou 10 para realizar agendas pelos Estados.
Nos cinco primeiros meses de 2025, Lula fez 30 viagens nacionais. Em 2024, onde o presidente foi cinco vezes ao Rio Grande do Sul diante da tragédia climática que assolou o Estado, o número foi de 37 deslocamentos.
Já em 2023, no primeiro ano do mandato, Lula fez menos eventos nos Estados entre janeiro e maio. O petista fez 21 idas a 19 cidades do Brasil.
O número baixo em 2022 tem um motivo: o foco inicial do petista foi o de realizar viagens ao exterior para se encontrar com líderes estrangeiros e participar de cúpulas a fim de reforçar a presença internacional do Brasil. Essas agendas ficaram em segundo plano diante da gestão de Bolsonaro.
Lula também viajou menos pelo País neste ano do que em 2006, quando disputou uma reeleição pela primeira vez e venceu o agora vice-presidente Geraldo Alckmin (então no PSDB).
Com maratonas de até quatro cidades visitadas em um único dia, Lula fez 60 viagens nacionais e percorreu 50 municípios entre janeiro e maio daquele ano. Assim como em 2026, a cidade de São Paulo foi tratada com prioridade com 8 idas. Houve dois deslocamentos para outras cidades estratégicas: Porto Alegre (RS), Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ), além de São Bernardo do Campo (SP), berço político do PT.
São Paulo também foi o Estado mais visitado, com 16 das 60 viagens sendo por lá. Em seguida aparecem Rio Grande do Sul (6), Bahia (6) e Rio de Janeiro (5).
Lula tem variado as suas viagens nacionais neste ano eleitoral entre cidades e unidades federativas que são redutos petistas e onde ele perdeu para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. Uma parada recorrente é o Estado de São Paulo, que é considerado crucial para a conquista do quarto mandato.
A cidade mais visitada pelo petista foi o Rio de Janeiro, com seis idas. Já São Paulo e Salvador tiveram cinco deslocamentos cada. As três cidades são as que possuem maior colégio eleitoral entre os 5.569 municípios brasileiros.
A lógica da pré-campanha também é repetida nos Estados, com os quatro maiores eleitorados acumulando o maior número de viagens. Em São Paulo, Lula foi 16 vezes. No Rio, sete. Na Bahia, seis e, em Minas Gerais, quatro. Somadas, as unidades federativas concentram mais de 65% dos votantes em outubro, segundo dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Lula não tem priorizado cidades onde venceu ou perdeu em 2022. Das 34 cidades em que visitou neste ano, ele venceu Bolsonaro no segundo turno em 18 e perdeu em outras 16. Somando os votos em todas elas, ele teve 11,2 milhões de votos (51,83%), enquanto o ex-presidente teve 10,4 milhões de votos (48,17%).
Os 13 Estados visitados por Lula concentram 73% do eleitorado, sendo que Lula venceu, no segundo turno de 2022, em sete e perdeu em outros seis. Na soma, Lula teve 44,2 milhões de votos (51,46%), enquanto Bolsonaro registrou (48,54%).
Na análise de Leandro Gabiati, cientista político da Universidade de Brasília (UnB) e diretor da Dominium Consultoria, a preferência de Lula nos principais colégios eleitorais, além do Nordeste, mostra que as duas regiões serão prioritárias no decorrer da campanha. A movimentação do petista busca minar o crescimento da direita em regiões onde ela já possui a preferência do eleitorado, além de onde há um fenômeno de crescimento.
“Lula sabe que os dois grandes colégios eleitorais são o Sudeste primeiro e o Nordeste depois. Ele sabe que tem que estar firme em São Paulo, pois, ainda perdendo, se ele perder por menos, ele consegue vencer uma eleição. Lula tem que estar em Minas Gerais, um estado que é chave. Além do Nordeste, que, com o avanço do conservadorismo, setores que antes votavam à esquerda hoje estão votando à direita”, afirmou Gabiati.
Lula não repete a tática adotada por Bolsonaro quando ele era o presidente em exercício durante o ano eleitoral. Nas viagens feitas pelo ex-presidente, a campanha bolsonarista priorizou cidades onde ele venceu o então ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) em 2018.
Das 51 cidades visitadas por Bolsonaro entre janeiro e maio de 2022, o ex-presidente venceu Haddad em 37 e perdeu em 14. Somados os resultados do segundo turno de 2018, as cidades visitadas por Bolsonaro somaram 12,2 milhões de votos (62,01%) para o ex-presidente, ante 7,5 milhões para Haddad (37,99%).
Os percentuais se distanciam dos resultados do segundo turno de 2018, em que Bolsonaro venceu Haddad por 55,13% contra 44,87% dos votos válidos.
Segundo Gabiati, os números refletem a estratégia do ex-presidente em priorizar cidades onde já possuía apelo popular para produzir vídeos e fotos, massificadas nas redes sociais, em que ele aparecia cercado de multidões.
“Nessas cidades em que se produziam imagens com um elevado impacto simbólico, com milhares e milhares e milhares de pessoas com bandeiras atrás do Bolsonaro, com aquelas manifestações gigantes. Isso aí era muito bem utilizado na comunicação e nas redes sociais. Ele passava essa imagem de um presidente popular que anda na rua, que tem aquele apoio em qualquer lugar”, disse Gabiati.
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