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Modelo do Banco Central deve indicar inflação no terceiro trimestre de 2027 de 3,45% ante 3,2%
17 de março de 2026
Por Marianna Gualter
O aumento da incerteza provocado pelo conflito no Oriente Médio deve marcar o tom da reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom). Às vésperas do encontro, prevalece entre analistas a avaliação de que o corte de juros praticamente já contratado deve ocorrer, mas acompanhado de uma comunicação enfática sobre uma condução cautelosa da política monetária.
A volatilidade nos preços do petróleo elevou a probabilidade de um corte inicial mais modesto, de 0,25 ponto porcentual levando a Selic para 14,75%, mesmo diante de um comportamento mais benigno do câmbio. O avanço dessa possibilidade é admitido até por casas que mantêm, em seu cenário oficial, uma redução de 0,50 ponto. Essa expectativa chegou a ser quase consensual nas semanas anteriores ao aumento das tensões geopolíticas.
O barril de petróleo tipo Brent, referência internacional para o preço da commodity, atingiu um pico próximo de US$ 120 no último dia 9, no auge das preocupações internacionais com a segurança da produção e do transporte de petróleo. Nos dias seguintes, o mercado chegou a reduzir parte do prêmio de risco embutido nas cotações. A volatilidade, entretanto, continua e há o receio de que a alta da commodity seja duradoura, com pressões sobre a inflação. Na manhã de hoje o barril de Brent operava por volta de US$ 100.
Os temores inflacionários já aparecem no relatório Focus. No boletim publicado ontem, a mediana para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 3,91% para 4,10%, ainda abaixo do teto da meta de inflação, de 4,50%. Para a inflação suavizada nos próximos 12 meses, a estimativa aumentou de 3,94% para 3,99%. Pela primeira vez desde dezembro de 2025, a mediana do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o Focus, passou a indicar um corte de 0,25 ponto da Selic nesta reunião do Copom. Nas leituras anteriores, a aposta era em uma redução de 0,50 ponto.
“Hoje achamos que é muito mais provável o Banco Central cortar 0,25 ponto do que 0,50 ponto, diante dessa incerteza toda em relação a quanto tempo o preço do petróleo vai ficar alto”, afirma a diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour.
Ela observa que essa probabilidade maior se dá apesar da comunicação oficial do Banco Central após a reunião de janeiro. “As últimas aparições e discursos, mesmo com a guerra já iniciada, eram de que a calibragem não mudaria, mas eu acho que, diante dos últimos acontecimentos e do risco que tem da volatilidade, é mais provável cortar 0,25 ponto.”
Na reunião de janeiro, o colegiado afirmou que, em se confirmando o cenário esperado, antevia iniciar a flexibilização da política monetária na reunião de março. O Copom não chegou a sinalizar qual seria a magnitude do corte, mas o consenso de mercado se inclinou para uma redução de 0,50 ponto. No início de fevereiro, uma declaração do presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi lida como um endosso a essa estimativa.
“Eu acho que o mercado vem consolidando uma interpretação do que tem sido a comunicação oficial do BC e não há qualquer intenção aqui na minha fala de fazer qualquer tipo de reparo sobre como a gente tem se comunicado e como tem sido interpretado”, disse, em evento do BTG Pactual.
No início deste mês, o diretor de política monetária do BC, Nilton David, enfatizou que há espaço para calibrar a Selic. “Essa é uma das belezas que existem ao se ter um juros um pouco mais alto por conta de outras razões, lhe permite também absorver esses ruídos”, afirmou em evento do Goldman Sachs.
Diante do risco elevado para a inflação, o ideal para Srour seria que o colegiado não realizasse um corte no encontro desta semana. Ela pondera, porém, ser pouco provável que isso ocorra.
“O risco da inflação não ser tão benigna aumentou. Existe, inclusive, o risco da inflação esperada para esse ano ficar acima da meta e isso vai impactar o ano que vem, que é mais ou menos o horizonte relevante, 18 meses à frente”, diz. “Esse choque de oferta pode se propagar com mais facilidade em uma economia que está com a demanda aquecida, com o mercado de trabalho extremamente apertado e com uma inflação corrente que não é benigna. O juro real está muito alto? Está, mas o impacto disso na atividade não tem se traduzido como a gente esperava, nem na inflação.”
Além de optar por um corte menor, a economista avalia que o Copom tende a reforçar o teor mais gradual do ciclo iniciado. “Acredito que todos os bancos centrais vão nessa direção, então é bom estar alinhando -porque a moeda reage muito ao diferencial de comunicação do BC. É importante começar de uma maneira bem dura”, detalha. Ela sugere que uma forma de ser hawkish, mesmo cortando a Selic, seria o Copom alterar o viés do balanço de risco, mas pondera não achar que essa alteração será feita.
Projeções Broadcast mostra que a estimativa do Banco Central para a inflação ao final do horizonte relevante de atuação da política monetária deve subir de 3,2% para 3,45%, conforme estimativas do mercado financeiro, se distanciando ainda mais do centro da meta, de 3,0%. O novo número deve refletir a incorporação ao modelo do BC de um novo nível da cotação internacional do barril de petróleo tipo Brent, que disparou nos últimos dias após eclosão do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Na ata da última reunião do Copom, a projeção para IPCA era de 3,4% para o final de 2026 e de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de atuação do BC. A premissa se baseava em uma curva futura da cotação do petróleo que, à época, rondava a casa dos US$ 60 por barril. Desde a eclosão do conflito no Oriente Médio, porém, a cotação escalou e tem operado acima dos US$ 100 nos últimos dias.
O economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski, mantém desde julho de 2025 projeção de que o corte inicial da Selic será de 0,25 ponto. O início moderado se justificaria pela inflação ainda resiliente de bens não comercializáveis e o tempo demandado para mapear os impactos efetivos sobre a economia da maior isenção do Imposto de Renda e do aumento do salário mínimo, que passaram a vigorar no início deste ano.
Ele afirma que chegou a ter a confiança nessa estimativa abalada, devido à fraqueza registrada pelo dólar e declarações recentes dos membros do BC. O call, porém, voltou a ganhar força com as leituras mais recentes de inflação e de atividade econômica somadas ao conflito no Oriente Médio.
“Um corte de magnitude menor seria útil nesse sentido de comprar mais tempo para entender a complexidade do choque e sua magnitude, mas a sua persistência também. Ao começar devagar, você pode ter um acesso melhor a situação antes da próxima decisão e ir tateando quanto espaço tem”, diz.
Secemski entende que a chance de um corte de 0,50 ponto está cada vez menor, mas não a descarta completamente, especialmente se o Comitê utilizar um cenário alternativo para os preços de petróleo, como fez em março de 2022, após a invasão da Ucrânia, para dissipar parte do choque.
Outro ponto a ser observado, diz, é a precificação do mercado na véspera da decisão. “Se o mercado estiver precificando majoritariamente 0,25 ponto, surpreendê-lo na ponta dovish pode ser contraproducente”, afirma o economista, que enfatiza que normalmente não considera a precificação do mercado tão importante para a decisão, mas ressalta sua relevância no momento atual, de maior sensibilidade.
A economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico, em contrapartida, não descarta a possibilidade de que o Copom opte por um corte de 0,25 ponto, devido à maior incerteza no cenário, mas mantém como cenário base uma redução de 0,50 ponto, embasada na apreciação recente do câmbio.
Na reunião de janeiro, a cotação do dólar usada no cenário de referência do comitê foi de R$ 5,35. Agora, ela deve cair para R$ 5,20, calcula a economista.
“O petróleo subiu, mas tem alguns atenuantes”, enfatiza Damico. Ele menciona que o BC considera a curva de petróleo, e não o spot da commodity. “Esse é um ponto que acaba suavizando”, diz. Também cita que houve um ganho em termos de troca para o Brasil, que é um exportador líquido do material.
O ambiente incerto, porém, deve ditar o tom da reunião mesmo que o colegiado opte por uma redução de 0,50 ponto, diz a economista, que avalia que o Copom tende a optar por uma cautela adicional na comunicação, como já fez em outros momentos recentes.
“Um ambiente mais incerto incentiva o BC a ser mais conservador”, diz a economista. “Agora, como ser hawkish em um momento de corte de juros? Ele tem algumas formas de fazer isso. Acho que a mais adequada e provável é reconhecer que o cenário está mais incerto e reconhecer que ele de fato vai para o modo data dependent.”
Conforme pesquisa Projeções Broadcast publicada ontem a maioria das instituições do mercado financeiro projeta um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic nesta semana. Este é o cenário-base de 25 de 33 (76%) instituições de mercado consultadas na segunda-feira. Os números invertem a maioria apontada na pesquisa realizada na última quinta-feira,12, quando 20 de 32 (62,5%) instituições previam um corte de 0,50 ponto porcentual. Na pesquisa de hoje, apenas 7 de 33 (21%) instituições projetam corte de 0,50 ponto na Selic. Uma instituição prevê manutenção da taxa em 15%.
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