Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
30 de julho de 2026
Por Daniel Weterman e Roseann Kennedy, do Estadão
Brasília, 30/07/2026 – O presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Manoel de Andrade, enviou uma carta ao conselheiro Paulo Tadeu pressionando pela análise das contas do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) relativas a 2025 antes das eleições de outubro.
O processo deve selar o destino político de Ibaneis, que desistiu de concorrer ao Senado, pelos próximos anos. A tendência no tribunal é de que os técnicos recomendem a rejeição das contas, segundo apurou o Estadão.
Paulo Tadeu é relator das contas e tem defendido esperar a divulgação do balanço do Banco de Brasília (BRB) de 2025, que deveria ter sido publicar em março e está atrasado, para só então analisar as contas distritais.
Em junho, por maioria, o Tribunal de Contas do DF cobrou a publicação das demonstrações contábeis do BRB para julgar as contas do ex-governador. O presidente da Corte tem um entendimento diferente da maioria e defende a análise das contas até agosto, independentemente das informações do BRB.
Na carta, enviada em 17 de julho, Manoel de Andrade citou “profundas preocupações com a demora na avaliação e emissão do parecer prévio” pela Corte de Contas. Ele classificou o escândalo envolvendo o Banco Master e o BRB como um “cenário tenebroso”, mas pontuou que o atraso no balanço não pode justificar a demora na apreciação das contas do Distrito Federal.
Aguardar o balanço do banco pode significar arrastar o julgamento para depois das eleições. Os resultados do BRB só devem ser apresentados após o governo do DF fazer um aporte para cobrir o prejuízo deixado pelo Banco Master no BRB. A operação se arrasta porque o Executivo ainda não conseguiu o empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que necessita de garantia dos grandes bancos.
Tecnicamente, há uma discussão sobre a necessidade de aguardar o balanço do BRB para analisar as contas do Distrito Federal relativas a 2025. Há quem defenda que as informações financeiras do banco, controlado pelo governo, são essenciais para a análise, tanto pela formalidade quanto pela avaliação sobre o patrimônio efetivo do DF.
“Estamos falando de um documentos prioritários diante de tudo que está acontecendo nessa cidade que envolve o BRB”, afirmou o relator Paulo Tadeu em sessão no dia 3 de junho. “Nós precisamos dele (do balanço) para ver qual o reflexo isso vai ter.”
Por outro lado, as contas do Distrito Federal são apartadas do banco e não houve aporte em 2025. O atraso no balanço acabaria servindo como justificativa para a Corte de Contas deixar de avaliar as contas distritais do ano passado. “A persistir o atual cenário, está relegada à atuação do próprio BRB a fixação da data de apreciação das contas em comento”, pontuou o presidente na carta.
O processo deve selar o destino político de Ibaneis. A área técnica do tribunal identificou um rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas do DF em 2025, como revelou o Estadão – valor que deve aumentar com informações atualizadas. A tendência é de que os técnicos recomendem a rejeição das contas. O tribunal dá um parecer prévio e cabe à Câmara Legislativa fazer o julgamento final.
O ex-governador desistiu de concorrer a uma vaga no Senado, após os impactos do caso Master na eleição. Uma rejeição das contas poderia levar Ibaneis a ficar inelegível por oito anos, pagar multa e ainda ser responsabilizado no “CPF” – impedindo-o, por exemplo, de ocupar qualquer cargo público no período.
Irregularidades na mira
Entre as irregularidades que devem ser apontadas na análise de contas estão gastos em 2025 fora do orçamento que só foram reconhecidos em 2026, despesas herdadas do ano anterior (os chamados restos a pagar) além do permitido e um rombo no Iprev-DF (Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal), entre outras.
Após o presidente mandar a carta ao relator, o deputado distrital Gabriel Magno (PT), líder da minoria na Câmara Legislativa, protocolou no mesmo dia uma representação no tribunal pedindo para suspender o julgamento das contas de Ibaneis.
Magno alegou que as demonstrações financeiras do BRB são documentos essenciais e obrigatórios para análise do processo. No âmbito político, havia um temor no PT de que a tramitação acelerada levasse à aprovação das contas de Ibaneis. A situação será discutida entre integrantes do tribunal nos próximos dias.
Veja também