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29 de julho de 2026
São Paulo, 29/07/2026 – O produtor rural deve concentrar seus esforços nas decisões de manejo e não no alarmismo em torno do fenômeno climático El Niño, reforçou o agrometeorologista e sócio-fundador da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos, durante o 8º Fórum Café e Clima Cooxupé, realizado nesta quarta-feira em Guaxupé (MG). Segundo Santos, a probabilidade de ocorrência do fenômeno é de 100% e de cerca de 80% de risco de que ele atinja intensidade forte, com anomalia superior a 2°C na temperatura da superfície do Oceano Pacífico. Ainda assim, ele assinalou que o cenário não corresponde às previsões catastróficas que vêm circulando. “O problema não é o El Niño. O problema é o que vocês vão fazer com essa informação. Que decisão vão tomar na lavoura? Que tecnologia vão usar?”, afirmou.
O meteorologista destacou que produtores devem aproveitar a estrutura técnica disponível na Cooxupé para definir estratégias de manejo capazes de reduzir os impactos climáticos nas lavouras. “Vocês estão em um centro de excelência do café mundial. Os melhores profissionais estão aqui para orientar o produtor”, disse.
Santos também contestou projeções que apontam um aquecimento de até 4,5°C no Oceano Pacífico, ressaltando que esse resultado decorre de rodadas isoladas de modelos climáticos. Segundo ele, análises estatísticas baseadas em diversos modelos indicam um El Niño de forte intensidade, com aquecimento entre 2,5°C e 3°C.
Para embasar as projeções, a Rural Clima comparou a evolução da temperatura do Pacífico registrada entre janeiro e julho deste ano com os 28 episódios de El Niño documentados desde meados do século passado. Os anos de 1997/98 apareceram como o principal análogo climático, seguidos por 2023/24 e, em terceiro lugar, 1982/83. Já o evento de 2015/16, frequentemente citado nas comparações, não apresentou similaridade estatística com o cenário atual.
“O que vocês precisam levar para casa é que teremos, sim, um El Niño forte. Mas não é um ‘Godzilla’, não é um evento apocalíptico. O foco deve estar na adaptação e no manejo da lavoura”, concluiu.
Contato: tania.rabello@estadao.com
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