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29 de julho de 2026
Artigo de: Redação
A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a se intensificar nas últimas semanas. Kiev expandiu significativamente o escopo de seus ataques de longo alcance, agora mirando a infraestrutura comercial russa. Drones ucranianos destruíram pelo menos sete centros de distribuição da Wildberries, a maior plataforma de comércio eletrônico da Rússia, responsável por mais de 52% de todos os pedidos online do país, em ataques que se espalharam por Moscou, São Petersburgo, Krasnodar e outras regiões.
A justificativa oficial de Kiev é que a rede logística da empresa servia à cadeia de suprimentos militar. O objetivo estratégico, no entanto, é levar a guerra ao cotidiano dos russos comuns antes que o inverno enfraqueça a posição ucraniana.
A Rússia respondeu com uma campanha sistemática de mísseis e drones contra os portos do Mar Negro. Os ataques a Odesa, Chornomorsk e Pivdennyi foram suficientes para paralisar o corredor marítimo ucraniano: em 22 de julho, pela primeira vez desde a abertura do corredor em 2023, nenhum navio comercial entrou em qualquer porto ucraniano. Gigantes do setor, como Maersk e Hapag-Lloyd, suspenderam suas operações e redirecionaram cargas para a Romênia.
O golpe é financeiro e diplomático ao mesmo tempo. Os grãos são a principal fonte de divisas estrangeiras da Ucrânia, e 90% das exportações agrícolas passam pelos três portos da região de Odesa. A interrupção pode custar ao país até US$ 900 milhões por mês, segundo o vice-ministro da Economia ucraniano.
A ofensiva também encontrou a Ucrânia no meio de sua maior crise política desde o início da guerra. A demissão abrupta do popular ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, arquiteto da modernização tecnológica do exército com drones e inteligência artificial, desencadeou protestos em diversas cidades. Sob pressão, o presidente Volodymyr Zelensky demitiu também o comandante-chefe Oleksandr Syrsky, símbolo da doutrina soviética hierárquica, e nomeou o general Mykhailo Drapaty, veterano de combate respeitado pelas tropas e comprometido com as reformas.
O recuo de Zelensky evitou uma ruptura maior, mas tem custos: tanto Fedorov quanto o ex-general Valerii Zaluzhny, demitido do cargo de comandante-em-chefe das Forças Armadas pelo presidente ucraniano em 2024, já figuram como potenciais rivais eleitorais no pós-guerra.
O quadro atual revela a lógica central do conflito: a Ucrânia busca forçar Vladimir Putin à mesa de negociações enquanto ainda está em uma posição relativamente forte, antes que o inverno deteriore sua capacidade militar e financeira. A Rússia, por sua vez, aposta que o desgaste econômico e as turbulências políticas afetarão a coesão ucraniana antes que Moscou fique sem recursos para financiar o esforço de guerra.
Nenhum dos lados tem evidências sólidas de que seu cálculo está correto e, no curto prazo, a tensão ainda deve aumentar.
O Eurasia Group é a maior consultoria de risco político do mundo e produz a cada semana uma análise de conjuntura política do Brasil para os clientes do Broadcast Político e Broadcast+.
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