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20 de maio de 2026
Por Bruna Camargo
São Paulo, 20/05/2026 – A Colômbia voltou ao radar de investidores estrangeiros em meio ao movimento global de rebalanceamento de carteiras para mercados emergentes, após anos de forte valorização dos ativos nos Estados Unidos. O país sul-americano reúne fatores que sustentam uma tese de valorização da bolsa local, como múltiplos descontados, dividendos elevados, perspectiva de mudança política e recuperação gradual da atividade econômica – uma oportunidade que a Global X ETFs quer aproveitar, segundo Flávio Vegas, especialista de Produtos da gestora.
A leitura da Global X é de que o fluxo recente para emergentes não decorre apenas de preocupações com os Estados Unidos, mas também de uma rotação natural de portfólios. “Nos últimos cinco anos a bolsa americana subiu bastante, então provavelmente as carteiras ficaram sobrealocadas no país”, afirmou Vegas, em entrevista exclusiva à Broadcast, acrescentando que foi nesse contexto que investidores passaram a buscar geografias consideradas mais descontadas.
É o caso da Colômbia. A avaliação da Global X é de que o país combina características semelhantes às do Brasil, com peso relevante de commodities e instituições financeiras na economia. No entanto, a bolsa colombiana ainda negocia abaixo de médias históricas de preço sobre lucro (P/L), ao mesmo tempo em que oferece um dividend yield próximo de 7%, acima de pares latino-americanos, que ficam mais perto dos 4%, descreve Vegas.
Outro fator monitorado pelo mercado é a eleição presidencial colombiana, marcada para o fim de maio. O especialista da Global X avalia que uma eventual mudança de governo pode impulsionar o fluxo estrangeiro para o país, em linha com o movimento observado recentemente na Argentina. Além disso, Vegas destaca fatores estruturais da economia colombiana, como a posição relevante na produção de petróleo e carvão, o crescimento do consumo doméstico e a autonomia do banco central local.
É nesse contexto que a gestora lança nesta quarta-feira o COLO39, BDR de ETF listado na B3 que replica o MSCI All Colômbia Select 25/50, índice de ações colombianas. Com exposição concentrada principalmente nos setores financeiro, de energia e infraestrutura, o produto dá acesso a 26 empresas do país, como Ecopetrol, Bancolombia e Grupo Sura.
O ETF original, listado nos Estados Unidos, foi o primeiro produto lançado pela Global X naquele mercado e hoje reúne cerca de US$ 125 milhões em patrimônio. No Brasil, o BDR de ETF terá taxa de administração de 0,62% ao ano e pagamento semestral de dividendos.
Vegas afirma que o produto deve ser visto como uma alocação tática e de maior risco dentro da carteira. “O mercado colombiano tem um risco um pouco maior do que o brasileiro, mas, em compensação, quando você olha o retorno, há um potencial um pouco maior”, diz o especialista. Para ele, o principal objetivo do lançamento é ampliar o acesso do investidor local a mercados internacionais menos tradicionais sem necessidade de abrir conta no exterior.
Atualmente, a Global X possui 32 produtos listados no Brasil. Além do novo BDR de ETF de Colômbia, a gestora deve anunciar dois novos produtos em breve, um voltado ao ouro e outro a empresas de tecnologia de defesa, conforme adiantou à Broadcast.
Contato: bruna.camargo@estadao.com
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