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9 de julho de 2026
Por Luísa Laval
São Paulo, 09/07/2026 – Empresas brasileiras reduziram as projeções de crescimento e ficaram mais cautelosas com contratações, em meio a demanda fraca, incertezas econômicas e políticas, juros altos e inflação persistente, segundo a pesquisa S&P Global Brazil Business Outlook. O levantamento indica que o nível de otimismo com produção, emprego e lucratividade caiu ao patamar mais fraco desde a pandemia de covid-19, enquanto as expectativas de inflação subiram em junho.
A pesquisa mostra que o saldo líquido das expectativas para a atividade (diferença entre otimistas e pessimistas) caiu de 30% em fevereiro para 25% em junho, o menor nível desde junho de 2020. A piora foi puxada por serviços, com o saldo recuando de 31% para 25%, também o mais fraco desde meados de 2020. Na indústria, houve leve melhora, com o indicador avançando de 25% para 27%, ainda assim o segundo nível mais baixo em mais de uma década.
Com as projeções de crescimento mais fracas e a perspectiva de pressão sobre margens, os planos de contratação também perderam força. O saldo líquido de empresas que projetam aumento do emprego ficou em 1% em junho, o menor desde meados de 2020. O indicador permaneceu levemente positivo na indústria, enquanto prestadores de serviços projetaram estabilidade do quadro de funcionários (saldo em zero).
A pesquisa também aponta aumento relevante nas expectativas de inflação de custos. O saldo líquido para custos não relacionados a pessoal subiu para 52% em junho, maior nível desde meados de 2022 e bem acima da média global (24%). Na indústria, a expectativa de alta desses custos chegou a 69%, contra 46% em serviços. Já as intenções de investimento ficaram estáveis em relação a fevereiro, com os saldos líquidos de capex e de P&D em 9% e 7%, respectivamente.
Em comentário no relatório, a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima, afirma que os dados de junho apontam “projeções mais fracas de crescimento e expectativas mais altas de inflação” entre empresas do setor privado, que ficaram mais cautelosas com contratações e lucratividade. Segundo ela, a proximidade da eleição presidencial e as incertezas associadas, além de juros altos e inflação, pesam sobre a demanda. “A guerra no Oriente Médio está adicionando pressão aos custos e à lucratividade”, conclui.
A pesquisa foi realizada entre 11 e 25 de junho.
Contato: luisa.laval@estadao.com
Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast
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