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12 de junho de 2026
Por Vinícius Novais
São Paulo, 12/06/2026 – A necessidade de um ajuste fiscal para que o Brasil possa atrair investimentos foi consenso entre o gestor de renda variável da Kapitalo, Bruno Mauad, o CIO da Monte Bravo, Guilherme Loureiro, e o CCO da Avenue, Dainel Haddad. O trio concorda que o País está no radar dos investidores globais, mas há necessidade de controle de gastos estatais para que os juros recuem e os investimentos aumentem, elevando a produtividade e atraindo capital.
A alta das commodities e as expectativas de corte de juros e de melhora fiscal em 2027 foram as responsáveis pela alta da Bolsa brasileira no início do ano, afirma Mauad. Ele pondera, porém, que as incertezas brasileiras e os juros altos, junto à guerra no Oriente Médio, levaram à saída de capital e atrapalharam a Bolsa. Mesmo assim, ele segue otimista sobre o Brasil se o País conseguir diminuir o custo do dinheiro com mudanças políticas.
Ainda assim, Mauad mantém suas maiores exposições em empresas exportadoras, principalmente mineradoras de ouro e cobre, a Aura, e a Embraer, forte exportadora. Também se prepara para uma queda de juros com empresas cíclicas, como Lojas Renner e Natura, cuja queda deixou o preço atrativo.
Questionado sobre IA, Mauad diz que se expõe ao setor por meio das alocações em empresas que extraem cobre, necessário no setor de tecnologia. Além da Aura, ele cita a Ero Copper, que tem capital no exterior, mas ativos no Brasil; Vale, que também explora o mineral, com cerca de 30% da empresa ligada ao mineral.
Loureiro, da Monte Bravo, por sua vez, destacou a relação positiva de risco-retorno dos títulos públicos, principalmente títulos NTN-B IPCA+, que entregam equilíbrio em um cenário de estresse fiscal. Ele pondera, porém, que o título não garante ganho em cenários muito ruins, mas oferece um caráter mais defensivo. Para equilibrar, ele aponta para a diversificação internacional da carteira e ativos ligados ao ouro, que segue com grande demanda e fornece proteção ao cenário de conflitos geopolíticas.
Na linha de internacionalização, Haddad, da Avenue, aponta para a importância da composição de uma carteira que foque no médio e longo prazo, com pelo menos 20% dolarizado. O tamanho da fatia, explica ele, é o mesmo do estimado que o consumo seja dolarizado, devido ao consumo globalizado do brasileiro. “Se 20% do que você consome é dolarizado, 20% dos seus investimentos deveriam ser em dólar”, resume. Em sua carteira, ele diz, não pode faltar bolsas globais, principalmente as americanas.
contato: vinicius.novais@estado.com
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