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Em meio a tarifaço dos EUA, Fiemg defende retomada da ‘taxa das blusinhas’

27 de julho de 2026

Com as novas tarifas anunciadas pelo governo americano, que atingiram em cheio parte dos produtos brasileiros, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) defende a retomada da tributação sobre importações de até US$ 50, revogada desde maio pela Medida Provisória (MP) nº 1357, de 2026.

Por se tratar de MP, a revogação da chamada “taxa das blusinhas” está vigente desde sua publicação. O Congresso Nacional tem até o início de setembro para analisar a medida, que, se aprovada, será definitivamente convertida em lei.

Para a entidade mineira, a medida amplia a concorrência com produtos importados em um momento de maior pressão sobre a indústria brasileira, que já enfrenta os impactos das tarifas impostas pelos EUA às exportações nacionais. “Os reflexos da revogação já aparecem nos indicadores: em junho, as importações de produtos de baixo valor alcançaram R$ 2,6 bilhões, crescimento superior a 100% em relação ao mesmo mês de 2025”, diz a federação.

Segundo o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, a revogação da chamada “taxa das blusinhas” foi uma medida de “caráter eleitoreiro” e ampliou a vulnerabilidade do setor produtivo. “A indústria não busca protecionismo. O que se defende é isonomia nas condições de competição. Enquanto os produtos importados, especialmente os chineses, chegam ao Brasil sem enfrentar o chamado Custo Brasil, a indústria nacional continua arcando com uma elevada carga tributária e entraves estruturais”, afirma.

A Fiemg sustenta que a retirada da tributação facilita a entrada de mercadorias importadas, principalmente da China, que concorrem diretamente com a produção nacional por meio de preços mais baixos.

Na avaliação da federação, o cenário se torna ainda mais preocupante porque a indústria enfrenta dois movimentos simultâneos que comprometem sua competitividade. Ao mesmo tempo em que perde espaço no mercado norte-americano em razão do tarifaço, passa a conviver com uma concorrência ainda mais intensa no mercado interno. “É uma combinação particularmente desfavorável, porque comprime a indústria tanto no mercado externo quanto no doméstico”, destaca Pio.

O economista ressalta que, além da retomada da tributação sobre as importações de pequeno valor, o País precisa avançar em medidas estruturais para aumentar a competitividade da produção nacional. Entre elas, estão a redução do Custo Brasil, a melhoria da infraestrutura logística e energética, o equilíbrio fiscal e a ampliação do acesso ao crédito. “O ideal é criar um ambiente econômico que permita uma competição equilibrada, reduzindo os custos enfrentados pela indústria brasileira”, defende.

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