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Cecafé/Marcos Matos: exclusão do café de novas tarifas dos EUA preserva mercado de US$ 2,5 bi

24 de julho de 2026

Por Leandro Silveira

São Paulo, 24/07/2026 – A exclusão de todos os produtos de café da nova rodada de tarifas proposta pelos Estados Unidos representa uma vitória para a cafeicultura brasileira e preserva um mercado de aproximadamente US$ 2,5 bilhões por ano para o setor, afirmou o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, em vídeo enviado à reportagem. Segundo ele, a decisão mantém livres de sobretaxas o café verde, torrado e moído e o café solúvel exportados aos norte-americanos.

“Nós ficamos muito felizes com o resultado, porque a lista de exceção também engloba todos os produtos do café”, afirmou, sobre a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre o combate ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas de cerca de 60 países previa tarifas de 10% e de 12,5%, faixa na qual o Brasil foi enquadrado. “Então, nós protegemos também esses US$ 2,5 bilhões de exportações para os Estados Unidos, estando numa lista de exceção.”

O executivo atribuiu o resultado ao trabalho realizado pelo Cecafé ao lado da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e da National Coffee Association (NCA), associação que representa a indústria de café dos Estados Unidos. Segundo ele, ao longo de mais de um ano foram realizadas mais de cem reuniões com representantes dos departamentos de Comércio, Estado, Agricultura e do USTR para demonstrar a importância do café brasileiro para consumidores, indústria e economia norte-americana.

O diretor do Cecafé também destacou a atuação da NCA durante a investigação envolvendo cerca de 60 países. Segundo ele, a entidade participou da audiência pública para defender as práticas trabalhistas da cafeicultura brasileira e apresentar às autoridades norte-americanas informações sobre os mecanismos de fiscalização existentes no País.

Como parte desse trabalho, o Cecafé reuniu dados mostrando que foram realizadas mais de 58 mil fiscalizações no campo nos últimos anos e que menos de 1% dos casos apresentou problemas relacionados a direitos humanos. Matos também ressaltou a redução de 25,4% da chamada “lista suja” do trabalho análogo ao escravo desde janeiro, além das ações de capacitação promovidas por meio do Pacto pelo Trabalho Decente e do Programa de Trabalho Sustentável.

“O Cecafé preparou uma documentação com base nos dados de fiscalização a campo dos últimos anos, mostrando que houve mais de 58 mil fiscalizações e menos de 1% esteve relacionado a algum problema do ponto de vista de direitos humanos”, afirmou.

Segundo o executivo, mais de 600 técnicos multiplicadores já foram capacitados para orientar cafeicultores sobre contratação regular e formalização da mão de obra. O objetivo, disse, é fortalecer uma agenda permanente de educação, capacitação e diálogo com os produtores.

De acordo com Matos, um dos principais argumentos apresentados às autoridades norte-americanas foi o peso do café brasileiro no abastecimento do mercado dos Estados Unidos. Ele destacou que mais de 70% da população do país consome café e que o Brasil responde por cerca de 34% desse mercado. Além disso, afirmou que o próprio texto da decisão reconhece a importância da indústria de café solúvel para estabilizar os preços ao consumidor e abastecer a indústria norte-americana.

Contato: leandro.silveira@estadao.com

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