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Buena Vista leva estratégias de hedge funds a ETF em meio à busca por alternativas a multimercados

10 de junho de 2026

Por Bruna Camargo

São Paulo, 10/06/2026 – A busca por alternativas aos fundos multimercados tradicionais está impulsionando a chegada de estratégias amplamente utilizadas por hedge funds internacionais aos ETFs. A avaliação é da Buena Vista Capital, que diz que investidores têm demonstrado interesse crescente por veículos que combinem diversificação global, mecanismos de proteção contra quedas e maior eficiência operacional, movimento que a gestora observa como oportunidade para aumentar a prateleira de produtos.

A Buena Vista observa que os fundos multimercados ainda concentram patrimônio superior a R$ 1,5 trilhão no Brasil, mas avalia que a estrutura de ETF oferece vantagens na composição dos portfólios, como transparência, liquidez diária e tributação simplificada, além de permitir acesso a estratégias tradicionalmente restritas a investidores institucionais.

Dentro desse contexto, a Buena Vista anunciou o lançamento na B3 do TOPY11, ETF que replica o índice BDEXTOPY e combina posições compradas e vendidas em ações americanas com operações em opções sobre o S&P 500. A seleção dos ativos é baseada em fatores como qualidade dos lucros, geração de caixa, consistência dos resultados e sentimento de mercado. A gestora diz que, enquanto a parcela comprada busca companhias com fundamentos sólidos e potencial de valorização, a ponta vendida procura empresas com sinais de deterioração operacional ou menor qualidade dos resultados.

Segundo a Buena Vista, a estrutura busca reduzir a dependência da direção dos mercados. A exposição comprada corresponde a aproximadamente 120% da carteira, enquanto as posições vendidas representam cerca de 55%, com o objetivo de funcionar como um mecanismo de amortecimento em períodos de maior aversão ao risco.

Além da estratégia principal, o ETF incorpora operações com opções sobre o índice S&P 500 por meio de estruturas de put spread (trava com opções de venda), com o intuito de gerar renda recorrente aos cotistas e reduzir a volatilidade da carteira sem comprometer a estratégia central de seleção de ações. A gestora estima dividend yield anual entre 5% e 6%. Como os ativos são denominados em dólar, o produto também oferece exposição cambial ao investidor brasileiro.

“O investidor passa a acessar uma estratégia de hedge funds, tradicionalmente disponível apenas a grandes investidores, em um formato mais líquido e eficiente do ponto de vista tributário”, afirmou Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista, em nota.

O TOPY11 possui taxa global de administração de 0,98% ao ano, não está sujeito à cobrança de come-cotas e segue tributação de 15% na fonte sobre proventos e 15% via DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) sobre ganho de capital na venda de cotas.

Contato: bruna.camargo@estadao.com

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