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Análise Política: Governadores que cuidam bem de seus Estados têm menos chance no pleito nacional

27 de julho de 2026

Por Fabiano Lana*, colunista do Estadão

Apesar de todos os escândalos, rusgas internas, falta de apoio e contratempos quase diários, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda é o nome mais bem colocado para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. Mesmo bem-aprovados em seus Estados, os ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), candidatos, estão longe de alcançar dez pontos porcentuais nas sondagens de intenção de voto. Ainda não conseguiram alcançar voos nacionais.

Caiado saiu do seu governo com aprovação próxima a 90%. Zema apresentou números mais modestos: 52% de aceitação. Mesmo assim, ambos seguem desconhecidos por parte expressiva dos brasileiros, em torno da metade, a depender da consulta. São ainda vistos como “muito goiano” ou “muito mineiro”.

A última vez que o Brasil elegeu um governador de Estado como presidente da República foi com Fernando Collor de Mello, em 1989. A única vez desde a redemocratização. Não exatamente por seus méritos administrativos reais, mas pela imagem nacional que soube difundir, de “caçador de marajás”. O impichado Collor foi uma espécie de influencer avant la lettre.

Bons governadores precisam se concentrar nos quase infinitos problemas de seus Estados. Questões fiscais, sociais, de obras, da política interna, de buscar investimentos, minimizar desastres naturais, numa lista sem fim. Isso toma tempo, energia e nem sempre tem visibilidade externa. Enquanto isso, parlamentares com forte presença nas redes e sem obras concretas para administrar ganham forte perceptibilidade, ainda mais em tempos de redes sociais. Podemos citar aqui como exemplo as carreiras esfuziantes dos parlamentares de primeiro mandato Nikolas Ferreira (PL-MG) e sua antípoda, Erika Hilton (PSOL-SP). O outsider Renan Santos também se beneficia desse fenômeno.

Uma espécie de exceção seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que hoje – numa reflexão temporalmente inútil – teria sido alguém com mais possibilidades de vencer Lula. Mas Tarcísio conseguiu chegar onde chegou por causa de sua vinculação com o bolsonarismo. Enquanto isso, ex-governadores como José Serra e Geraldo Alckmin sempre bateram na trave na hora de tentar conquistar a Presidência.

Lula, Jair Bolsonaro, Dilma Rousseff, Fernando Henrique não precisaram passar pelo “estágio” de ser governador. Se tornaram figuras nacionais por outras razões. Numa simplificação grosseira: Lula por sua trajetória e persistência, Jair por seu oportunismo agressivo, Dilma pela escolha de Lula e Fernando Henrique pelo Plano Real. Nenhum pelas obras que fizeram no seu Estado de origem política.

Difícil dizer quais seriam os méritos de Flávio. Carrega o nome do pai, o que garante todo apoio de uma massa de milhões, e parece ser menos estouvado do que o resto do clã. Mesmo sem entregas, essas características foram suficientes para o Bolsonaro primogênito ganhar o voto daqueles que preferem qualquer um que não seja Lula. Governadores que, em tese, buscaram fazer o melhor para seu Estado, podem até virar, mas saem em desvantagem nessa missão.

*Fabiano Lana é formado em Comunicação Social pela UFMG e em Filosofia pela UnB, onde também tem mestrado na área. Foi repórter do Jornal do Brasil, entre outros veículos. Atua como consultor de comunicação. É autor do livro “Brasil acima da lucidez”, em que discute a política, a história, a cultura e a sociedade brasileira.

O serviço ‘Análise Política’, do Broadcast Político, reúne análises, comentários e bastidores da política nacional.

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