Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
28 de julho de 2026
Por Vera Rosa, do Estadão
Brasília, 28/07/2026 – O Palácio do Planalto tem certeza de que o governo de Donald Trump prepara há tempos uma estratégia para tumultuar as eleições no Brasil e encontrou um aliado de peso no presidente da Argentina, Javier Milei.
Não é de hoje que o Planalto e o Itamaraty monitoram a chamada agenda “MAGA” – sigla que, em português, significa “Faça a América Grande de Novo” – , lema dos apoiadores de Trump desde sua campanha. Tanto é assim que, nos últimos quatro meses, não foram apenas dois oficiais do Departamento de Estado americano (Riley Barnes e Samuel Samson) que tiveram o visto de entrada no País negado, como ocorreu no sábado.
Em março, o conselheiro Darrien Beattie – assessor de Trump e ex-redator da Casa Branca – também teve a entrada no País barrada após o governo revogar seu visto. Beattie é muito próximo do secretário de Estado Marco Rubio, outro grande aliado dos Bolsonaro.
Todos os funcionários de alto escalão do Departamento de Estado dos EUA apresentavam como justificativa oficial para desembarcar no Brasil encontros para discutir liberdade de expressão, argumento considerado falso pelo Itamaraty.
Na avaliação de interlocutores do presidente Lula, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, está criando “vacinas” cada vez mais fortes para justificar uma eventual derrota nas eleições de outubro.
No último dia 21, por exemplo, Flávio chegou a levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas ao dizer que elas têm a mesma origem daquelas da Venezuela, produzidas pela Smartmatic. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiterou que o Brasil não usa urnas da Smartmatic, empresa acusada pelo governo dos EUA de fraudar as eleições da Venezuela.
Diante de ruidosas críticas, o senador negou que tivesse lançado dúvidas sobre o sistema de votação do Brasil, como fez seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar. Flávio argumentou que apenas pediu aos embaixadores para que enviassem o maior número de representantes às missões de observação internacional durante as eleições.
Um dos auxiliares mais ouvidos por Lula no Planalto disse à Coluna, porém, que Trump e Milei acertaram uma estratégia conjunta com Flávio para turbinar o “gabinete do ódio” nas redes sociais.
O Planalto não tem dúvidas de que os ataques de Milei, por exemplo, fazem parte de uma ofensiva organizada, com o objetivo de ecoar a versão de que as urnas brasileiras são passíveis de fraude.
Em conversas reservadas, ministros afirmam que Trump quer o retorno da família Bolsonaro ao Planalto para manter a região sob sua zona de influência. E Milei teria um papel importante no desenho dessa geografia política.
Ainda no diagnóstico do governo, o tarifaço sobre produtos brasileiros, o “cerco” ao Pix e até a indicação de Daniel Perez, outro aliado de Marco Rubio, para assumir agora a embaixada dos EUA no Brasil reforçariam essa ofensiva. “Trump assumiu o governo há um ano e meio. Por que só agora decidiu mandar um embaixador para o Brasil?”, perguntou um diplomata, sob reserva. Detalhe: Perez, o indicado, também integra as fileiras do MAGA.
Milei, por sua vez, não parece estar nada disposto a dar um passo atrás. Após chamar Lula de “presidiário” e “ladrão” e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca” durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio, no sábado, o argentino deu novas alfinetadas na direção do presidente.
Em entrevista, Milei acusou Lula de promover uma campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo, ao lado do México e do Partido Democrata – opositor de Trump – usando recursos do Orçamento. Não apresentou provas, assim como Bolsonaro nunca conseguiu nem mesmo indícios de fraudes no sistema de votação. Até porque, antes de 2022, tanto ele quanto seus filhos haviam sido eleitos por essas mesmas urnas.
Veja também