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24 de julho de 2026
Por Circe Bonatelli
São Paulo, 24/07/2026 – A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), autora da proposta de ampliação do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) para famílias com renda de até R$ 21 mil e imóveis de até R$ 1,2 milhão, rechaça a crítica de que tal medida, se aprovada pelo governo, represente um desvirtuamento do programa habitacional.
“Hoje, a compra desse tipo de imóvel está bastante prejudicada pelo alto custo de financiamento”, defende a associação empresarial, em nota, enviada a pedido do Broadcast. A entidade argumenta ainda que o orçamento já reservado para o MCMV neste ano é capaz de comportar tal medida.
A mudança em discussão representaria a maior expansão do Minha Casa desde sua criação, em 2009, originalmente voltado a famílias de baixa renda. A crítica de agentes da habitação, entretanto, é que a destinação de recursos para esse fatia mais abastada da população tiraria o foco do combate à falta de moradias, que afeta principalmente quem ganha menos de três salários mínimos (R$ 4,8 mil) por mês.
Conforme antecipado pelo Broadcast, o governo federal está avaliando uma nova rodada de ajustes propostos pelas construtoras para turbinar novamente o Minha Casa, Minha Vida. O principal tópico é a ampliação da faixa 4. Hoje, ela atende famílias com renda de até R$ 13 mil para a compra de imóveis até R$ 600 mil. A sugestão é chegar até quem ganha R$ 21 mil, cobrindo moradias de até R$ 1,2 milhão.
A proposta sugere ainda que a faixa 4 passe a ser dividida em três subfaixas, com juros cortados dos atuais 10% ao ano para níveis menores, de acordo com a renda: 8,66% (renda até R$ 13 mil), 9,16% (até R$ 15 mil) e 10% (até R$ 21 mil). A Abrainc observa que essa faixa de juros é cerca de 2 pontos porcentuais menor do que a praticada fora do programa habitacional, onde as taxas elevadas têm esfriado as vendas de imóveis nesses preços.
Outra proposta das construtoras levada para análise do governo é a redução dos juros e a criação de faixas intermediárias dentro da faixa 3, que atende famílias cuja renda vai de R$ 5 mil a R$ 9,6 mil, com juros de 8,16% ao ano. Com as mudanças, ficaria assim: 6,66% (renda entre R$ 5 mil e R$ 6 mil), 7,16% (R$ 6 mil a R$ 7 mil) e 7,66% (de R$ 7 mil a R$ 9,6 mil). A medida teria potencial para aumentar o poder de compra das famílias em 8%, conforme estimativa das construtoras.
A Abrainc afirma que o conjunto de medidas têm potencial para aumentar em até 70 mil unidades a produção imobiliária do programa em 2026. Para isso, o MCMV conta com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do fundo social do pré-sal – este último tem um orçamento total de R$ 50 bilhões para este ano, mas que foi pouco utilizado até aqui.
“Existe um orçamento total de R$ 208 bilhões para financiamento ao MCMV em 2026 (contando FGTS e fundo do pré-sal). Pelo ritmo atual de contratação, haverá sobra orçamentária”, explica a Abrainc. “A medida foi desenhada de forma a não trazer impactos relevantes no orçamento plurianual do fundo.”
A proposta foi enviada ao governo federal no fim de junho. O tema está em análise, mas sem uma definição do governo até aqui.
Contato: circe.bonatelli@estadao.com
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