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CSN diz arrumar a casa para atrair sócio estratégico para siderúrgica

Embora companhia diga que os entraves estão sendo retirados do caminho, mercado continua cético

23 de abril de 2026

Por Talita Nascimento

Enquanto a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se empenha na venda de sua divisão de cimentos, ainda na fase de assinar contratos para disponibilizar informações aos interessados, os olhos do setor e do mercado se voltam para o que seguirá na estrutura da empresa: uma siderurgia com problemas e que pode precisar, no discurso da própria companhia, de um parceiro estratégico para se modernizar. Quando o assunto surge, porém, a palavra “contingência” vem quase que a reboque. A companhia afirma estar em dia com as questões ambientais que a levaram a ter de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em 2018, e que isso não deve interferir na eventual entrada de um sócio estratégico. Nos bastidores, fontes afirmam que ainda pode haver desconfortos por parte de eventuais interessados.

O TAC de 2018 foi firmado após outros descumprimentos de acordo da CSN e teve de ser prorrogado em 2024, já que a companhia não havia cumprido todas as exigências do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro em relação às suas instalações em Volta Redonda (RJ). O novo prazo estabelecido à época vence em setembro deste ano e, segundo a empresa afirmou à Broadcast, “as obrigações previstas no aditivo encontram-se em fase final de execução, com conclusão prevista para o primeiro semestre”.

A CSN afirmou ainda que, além dos R$ 300 milhões inicialmente previstos no acordo, a companhia ampliou de forma significativa seus investimentos, alcançando o montante de R$ 1,5 bilhão, valor cinco vezes superior ao originalmente estimado. No fim de 2025, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor total de R$ 1,13 bilhão para apoiar o projeto de modernização de três plantas industriais da CSN, em Volta Redonda , incluindo a aquisição de máquinas e equipamentos mais modernos, além de serviços tecnológicos.

Sem Objeções

A empresa diz que a Usina Presidente Vargas (UPV) opera com autorização ambiental de funcionamento regularmente concedida pelo órgão competente, estando, portanto, “devidamente licenciada”. “À época dessa prorrogação (do TAC), 92% das medidas já haviam sido cumpridas, restando 8% que demandaram prazo adicional em razão dos impactos da pandemia sobre os respectivos cronogramas”, disse a empresa.

Diante disso, a CSN espera a emissão da licença definitiva para a Usina. “Assim, não há qualquer objeção de natureza ambiental, tampouco impactos que possam interferir na eventual entrada de um sócio estratégico na companhia”, conclui a companhia em nota.

Para além das questões ambientais, ainda há dúvidas de eventuais interessados quanto à qualidade dos ativos siderúrgicos da companhia. O próprio presidente da empresa, Benjamin Steinbruch, afirmou a investidores no início do ano que a companhia tem máquinas antigas e que seria possível buscar um parceiro para uma modernização.

A CSN rebate o diagnóstico de que vive uma “situação crítica” nesta área, como fontes alegam nos bastidores, e afirma que a margem Ebitda do segmento siderúrgico, inclusive, está acima da observada nos outros principais competidores do setor. “No que se refere aos investimentos, a CSN realizou aportes relevantes na siderurgia nos últimos dois anos. Entre 2023 e 2025, foram investidos no segmento R$ 7,2 bilhões relativos a questões ambientais e linhas de acabamento, reforçando o posicionamento em produtos de maior valor agregado”, afirmou a empresa.

A CSN diz ainda que a defasagem de seu maquinário faz parte da dinâmica do próprio segmento siderúrgico, em um contexto que ainda demanda, na visão da companhia, avanços para o fortalecimento da competitividade da indústria nacional. “Esse movimento está associado, em grande medida, ao aumento da concorrência, incluindo práticas de dumping e a maior presença de produtos importados. Trata-se, portanto, de uma condição de mercado, e não de um fator isolado ou específico de uma única companhia”, diz em nota.

Nesse contexto, a reportagem questionou a companhia sobre o fato da própria empresa importar aço. Se consideradas apenas as entradas pelo Porto de Itaguaí,no Rio de Janeiro, onde a CSN tem um terminal de importação, seriam 42.149,4 toneladas importadas só em fevereiro deste ano. Sobre isso, a CSN afirmou que tem buscado maximizar a eficiência a partir do seu portfólio, com foco em produtos de maior valor agregado. A estratégia passa pelo fortalecimento da linha de revestidos e pela continuidade dos investimentos em materiais mais elaborados e processados, apoiados por centros de serviços especializados, como a Galvasud, no Paraná, considerada um dos principais ativos da operação siderúrgica.

“No que se refere às importações, é importante destacar que a origem não é a China, mas a Coreia do Sul, especificamente de material decapado, que serve como insumo para a produção de revestidos. Ou seja, não se trata de uma operação de compra e revenda, mas de uma etapa dentro da cadeia de agregação de valor”, respondeu a CSN.

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