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Lançamentos contábeis de ativos do Master causaram discussões acaloradas entre Souza e Galípolo
5 de março de 2026
Por Cícero Cotrim
As ações da Polícia Federal contra dois servidores do alto escalão do Banco Central apontados como consultores informais do Banco Master ontem são a culminação de uma investigação interna lançada pela própria autoridade monetária, que viveu um clima de guerra civil em 2025, enquanto investigava os indícios de crimes que levariam à liquidação da instituição de Daniel Vorcaro.
Um dos suspeitos de receber pagamentos de Vorcaro para favorecer o Master é o ex-diretor de Fiscalização (2017-2023) e então chefe-adjunto do departamento de Supervisão Bancária do BC, que cuidava da fiscalização de bancos, Paulo Sérgio Neves de Souza. Ele protagonizou divergências com a diretoria sobre o tratamento que seria dado ao banco ao longo de 2025, apurou a Broadcast.
Lançamentos contábeis de ativos do Master chegaram a causar discussões acaloradas entre Souza e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, que apontava inconsistências no balanço do banco. À época, o banco era considerado sólido, com nota de longo prazo A-(bra) pela Fitch Ratings. Os balanços eram auditados pela KPMG, uma das big four globais da área.
As suspeitas de irregularidades na conduta de Souza e de outro servidor -Belline Santana, então chefe do departamento de Supervisão Bancária – foram se acumulando ao longo de 2025. Mas indícios firmes só foram encontrados em janeiro, quando o BC afastou os dois servidores do cargo e comunicou as suspeitas à PF. Foi isso que levou a investigação a ser deflagrada, como mostrou a reportagem.
A corporação apontou que Souza e Santana receberam pagamentos de Vorcaro para atuar “de modo informal e reiterado em favor dos interesses da instituição financeira”. Eles teriam oferecido orientações sobre processos administrativos envolvendo o Master, revisado minutas de documentos que seriam enviados pela instituição ao regulador e tentado influenciar na análise de processos administrativos, segundo a PF.
No ano passado, já com suspeitas, mas ainda sem indícios firmes dessas irregularidades, a avaliação no regulador era de que qualquer tentativa de afastar os servidores das suas funções poderia ser lida como uma intervenção política no caso do Master. Souza e Belline têm décadas de carreira no BC e eram vistos como servidores sérios. Contemporâneos do ex-diretor de Fiscalização chegaram a se dizer estupefatos com as suspeitas sobre ele.
A solução para avançar nas investigações ao longo de 2025 foi manobrar ao redor de Souza e Santana, lançando mão de contestações, trocas das equipes responsáveis pelas análises e outras ações, de acordo com relatos colhidos pela reportagem. Foi essa investigação do BC que apontou a compra de R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e resultou na primeira fase da operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro pela primeira vez, em novembro.
Um ofício assinado por Souza, inclusive, foi usado pela defesa de Vorcaro como argumento para pedir a soltura do ex-banqueiro, ainda no ano passado. Respondendo a um pedido dos advogados, ele informou que a venda do Master à Fictor e a viagem do banqueiro a Dubai em 17 de novembro haviam sido comunicadas por Vorcaro ao diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, em uma reunião por videoconferência. Isso, segundo a defesa de Vorcaro, afastava a tese de tentativa de fuga dele.
Como mostrou a Broadcast, as suspeitas de irregularidades na conduta de Souza se estendem até o período em que ele era diretor, abrangendo toda a linha do tempo do Master: seu crescimento, o surgimento de suspeitas de fraude e a liquidação. A maior parte da gestão dele ocorreu durante a gestão do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, de 2019 a 2023.
Uma pessoa com conhecimento do assunto diz que a principal dúvida, agora, é sobre o quanto da atuação dos ex-servidores foi técnica. Também não é possível atribuir culpa neste momento a Campos Neto, que pode ter confiado nas posições do diretor de Fiscalização e das auditorias sobre o banco, de acordo com uma fonte.
Procurado, o ex-banqueiro central não respondeu aos questionamentos da reportagem.
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