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Trigo/Argus: Ucrânia deve produzir 24,1 milhões de t em 2026/27 (+2% ante 2025/26)

20 de julho de 2026

Por Julia Maciel

São Paulo, 20/07/2026 – A consultoria Argus atualizou as estimativas para a produção de trigo na Europa e na região do Mar Negro, com destaque para a elevação da projeção da safra da Ucrânia para 24,1 milhões de toneladas. O resultado indica recuperação de 2% frente à safra de 2025, quando atingiu cerca de 23,6 milhões de toneladas.

O rendimento médio nacional ucraniano foi projetado em 4,73 toneladas por hectare, alta de 6% sobre a média de cinco anos. Nas regiões do sul, como Odessa e Mykolaiv, a produtividade supera a média de 3,9 toneladas por hectare registrada no ano anterior.

Na região leste ucraniana, a produção de Kharkiv deve superar em 11% a média de cinco anos, enquanto a região de Dnipropetrovsk apresenta recuperação. Nas zonas central e oeste, os volumes permanecem próximos das máximas recentes em virtude das chuvas e da umidade do solo.

Segundo a consultoria, períodos de frio no início de maio atrasaram o desenvolvimento dos cultivos e a aplicação de fertilizantes na Ucrânia. As chuvas de junho elevaram os riscos de acamamento e doenças fúngicas, enquanto a redução do uso de nitrogênio no sul e no leste causa impacto na qualidade do grão.

Na França, a Argus estimou a safra de trigo em 32,3 milhões de toneladas. A projeção teve redução após uma onda de calor de oito dias consecutivos na metade de junho, que atingiu lavouras do norte do país durante a fase de enchimento de grãos.

O rendimento nas áreas ao leste de Paris pode ficar abaixo da média de sete anos. O início da colheita em trechos do norte do país francês estava previsto para ocorrer por volta do dia 10 de julho.

Na Romênia, a safra foi estimada em cerca de 13,9 milhões de toneladas, volume sustentado por chuvas em maio e pelo derretimento de neve. A maior produção é esperada no leste e sudeste do país, em áreas como Constanta, Ialomita e Calarasi.

No sudoeste romeno, nas regiões de Teleorman, Dolj e Olt, o rendimento apresenta variação por causa da distribuição das chuvas. A colheita no país registrou atraso de pelo menos duas semanas em função de baixas temperaturas e umidade.

Os produtores romenos priorizaram o rendimento em detrimento da qualidade em virtude dos custos com insumos, o que aumenta a participação do trigo destinado à ração animal. A alta no preço do combustível diesel também elevou os custos de transporte no país.

Contato: julia.maciel@estadao.com

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