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16 de julho de 2026
Por Aramis Merki II
São Paulo, 16/07/2026 – Se há poucos anos um ataque cibernético levava cerca de três semanas de preparação, com as ferramentas de inteligência artificial nas mãos de golpistas, este tempo diminuiu para 30 minutos. A informação é de Thiago Tanaka, diretor de cibersegurança da Tivit, que aponta que esta velocidade ampliou a escala e a frequência das ameaças aos sistemas corporativos. O executivo aponta uma média de um a dois ataques de ransomware (sequestro de dados) por mês entre os clientes atendidos nos últimos cinco anos.
O Brasil está entre os oito países com mais vítimas de ataques cibernéticos deste tipo, de acordo com levantamento da Check Point Research (CPR). Em junho, a média de ataques semanais em empresas no País foi superior a quatro mil, enquanto a média global está em 2,2 mil ataques, ainda de acordo com a CPR.
Diante deste cenário, o segmento de cibersegurança vê uma maior procura por parte das organizações. “Hoje, a pauta é tratada pelos executivos c-level”, afirmou Tanaka em entrevista à Broadcast. Na esteira desta demanda, a Tivit já vê cerca de 10% da sua receita vindo da vertical de segurança. Em quatro a cinco anos, a empresa projeta que a fatia suba para até 50% do faturamento total no Brasil. Só em 2025, o crescimento anual de receita na área ficou em 45%. Embora não abra os números absolutos, as empresas do Grupo Almaviva, que comprou a Tivit em 2025, somaram receita de R$ 4,5 bilhões na América Latina em 2025.
Parte do avanço também atribui-se à ampliação do Centro de Operações de Segurança (SOC) em São Paulo no ano passado, além da modernização na unidade em Bogotá, Colômbia. Desde então, o volume de atendimentos cresceu 74%, somando mais de 26 mil incidentes monitorados e tratados por mês. A equipe de cibersegurança da Tivit já soma mais de 300 profissionais, a maioria com atuação no mercado brasileiro.
O executivo destaca também uma discrepância regional. Segundo levantamento da Grant Thornton em parceria com o escritório Opice Blum Advogados, apenas 25% das empresas brasileiras possuem algum tipo de seguro cibernético, patamar considerado baixo diante do avanço das ameaças digitais. Para Tanaka, a realidade contrasta com a de mercados mais maduros: enquanto a contratação desse tipo de cobertura já é praticamente padrão entre grandes companhias dos Estados Unidos e da Europa, no Brasil e no restante da América Latina ainda é vista como algo dispensável.
Expansão
Para além da América Latina, a empresa tem planos de novos SOCs ao redor do mundo. A previsão é inaugurar ainda em 2026 uma unidade na Itália, que deve atender clientes europeus e também americanos, com Estados Unidos e Ásia projetados para ganhar operações próprias em 2027, à medida que a base de clientes nessas regiões avançar.
O movimento segue o mesmo racional que já orientou a replicação do modelo brasileiro para outros países da América Latina. Segundo Tanaka, o Brasil concentra a maior base de especialistas da companhia e funciona como referência operacional: os processos, metodologias e o uso de inteligência artificial testados e aprimorados no SOC paulista foram replicados na unidade de Bogotá, criada para centralizar o atendimento a clientes de países de língua espanhola, como Argentina, Chile, México e Equador.
A Tivit integra o grupo italiano Almaviva, presente em 21 países e com mais de 45 mil profissionais, e atua em dez países da América Latina em nuvem, dados, inteligência artificial, automação e aplicações empresariais.
Contato: Merki@broadcast.com.br
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