Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Ambipar centra esperança de retomada na divisão Response e prevê redução de 12% na Environment

14 de julho de 2026

Por Cynthia Decloedt e Mariana Ribas

São Paulo, 10/07/2026 – A Ambipar centra expectativas de sustentabilidade do grupo nas operações da Response, unidade de serviços de emergência ambiental e industrial, com representatividade importante nos Estados Unidos, além do Brasil e Europa, e com grandes clientes em sua carteira. Segundo documento divulgado pela empresa nesta quinta-feira, 9, a Ambipar Response foi menos afetada com a recuperação judicial do que as operações da Environment, que transforma resíduos industriais e urbanos em novos produtos.

Entretanto, as premissas operacionais e financeiras apresentadas mostram os números do conglomerado ainda impactados em 2026, especialmente pelas operações da Environment, que foram mais afetadas pela recuperação judicial e sofreram perda de confiança de clientes. Segundo a Ambipar, a Environment deve encolher 12% em seu tamanho no Brasil este ano.

A unidade teve R$ 320 milhões em contratos cancelados e outros R$ 222 milhões em contratos que foram executados e não renovados. Na Response, não houve cancelamentos, segundo a Ambipar, mas R$ 236 milhões em contratos executados e não renovados. No somatório, em virtude da crise, a Ambipar registrou uma redução de R$ 778 milhões em seu backlog, ou seja, nos contratos de serviços a serem prestados.

A Ambipar espera que o grupo traga resultados melhores a partir de 2027, puxados pela Response e especialmente por suas operações nos Estados Unidos. A companhia diz que a Response atualmente possui quatro grandes novos projetos em seu pipeline, com Ebitda (resultado operacional) anual potencial de US$ 60 milhões. Mas, acrescenta, que para isso serão necessários até US$ 155 milhões em investimentos (Capex) e a obtenção de financiamento para execução de tais projetos.

Mesmo assim, as projeções para as receitas feitas a partir de 2027 não mostram saltos nos números. De acordo com a Ambipar, a estimativa é de um “crescimento modesto de volume e taxa de utilização com ajustes anuais de preços pela inflação, de 2027 a 2030, e crescimento equivalente à inflação a partir de 2031”. De acordo com o documento, a Ambipar pretende entregar receita líquida consolidada de R$ 6,3 bilhões em 2027, acima dos R$ 5,9 bilhões em 2026. Em 2030, essa receita estaria em R$ 7,3 bilhões, conforme as premissas da companhia.

Em termos de Ebitda, a Ambipar prevê a entrega de aumento na margem Ebitda até 2030, impulsionado principalmente por esforços para melhorar o desempenho operacional. Já para 2026, a Ambipar espera uma alta para 15,7% na margem Ebitda, de 13,2% em 2025, chegando a 18,3% em 2030.

Para fluxo de caixa do grupo, o documento considera, com os termos da reestruturação proposta, uma projeção de que a companhia atinja uma razão de alavancagem de 5,1 vezes em 2026, chegando a 3,1 vezes em 2034.

As informações financeiras são parte do documento que a empresa colocou ontem em seu site e acompanham um acordo de apoio dos investidores detentores títulos de dívida emitidos no exterior pela companhia (bonds) a um plano de recuperação judicial.

Histórico

A Ambipar ajuizou uma medida cautelar, no Brasil, em 24 de setembro de 2025 e ingressou com um pedido de recuperação judicial em 20 de outubro de 2025, abrangendo as entidades brasileiras dos segmentos de Environment e Response. Na mesma data, a Ambipar Emergency Response iniciou voluntariamente um processo de Chapter 11 nos EUA, processo semelhante à recuperação judicial no Brasil. As demais operações internacionais permaneceram fora do perímetro da reestruturação brasileira.

O acordo feito com os credores externos prevê a emissão de US$ 925 milhões em novos títulos e pagamento somente em sete anos. Os recursos captados na emissão serão usados para pagar os greenbonds (títulos de dívida voltados a projetos sustentáveis) existentes, que somam cerca de US$ 1 bilhão. A Ambipar informou que este acordo está firmado com maioria, ou seja, com detentores de 53,8% dessa dívida com greenbonds.

Este foi o primeiro andamento ocorrido no caso Ambipar desde que a empresa entrou com pedido de recuperação judicial citando dívidas de R$ 10,5 bilhões, das quais os credores externos são maioria. O acionista fundador, Tércio Borlenghi, seguirá na empresa como diretor-executivo.

Segundo o material que está disponível no site da Ambipar, estes papéis terão vencimento único em sete anos e pagarão juro semestral de 10% no formato PIK – com emissão de novos bonds – durante os primeiros 18 meses, desde que o primeiro pagamento em dinheiro ocorra em 31 de dezembro de 2028 e posteriormente serão pagos juros PIK a 2% ao ano e juros em dinheiro a 8% ao ano.

Os novos títulos serão garantidos por ativos nos Estados Unidos e em outras jurisdições, e as condições do plano acordado com os detentores dos greenbonds estão sujeitas à aprovação de todos os credores em assembleia geral de credores. A intenção da companhia é depois recorrer ao chamado Chapter 15 para obter extensão à jurisdição norte-americana dos efeitos do plano aprovado no Brasil.

Contatos: cynthia.decloedt@estadao.com; mariana.ribas@estadao.com

Veja também