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8 de abril de 2026
Por Julia Maciel
São Paulo, 08/04/2026 – A indústria moageira deve repassar ao preço da farinha de trigo o aumento dos custos em função das tensões geopolíticas que encareceram a logística, disse o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa. Segundo ele, embora cada empresa defina sua estratégia, o movimento de correção de preços é inevitável diante do atual cenário global e doméstico. “Em algum momento próximo vai começar a haver o repasse desses custos. Não sei quando vai ser feito, qual é o volume ou o valor, porque isso é de cada empresa”, explicou o dirigente.
Barbosa diz que a guerra no Oriente Médio afeta especialmente o setor de alimentos por causa da alta do petróleo e do gás. “No caso do trigo, esse panorama se reflete no aumento generalizado do transporte marítimo e do seguro internacional, impactando um País que ainda importa 60% do cereal que consome”, afirmou o executivo.
Com relação aos fertilizantes, Barbosa criticou o que chamou de “falta de previsibilidade estratégica do governo e do setor privado”, lembrando que o Brasil depende de importações para 90% de suas necessidades. “Em 2022, o governo criou o Plano Nacional de Fertilizantes, que é insuficiente, porque prevê metade do consumo em 2050. É ridículo. Não pode demorar 25 anos para chegarmos na metade”, disse. Para Barbosa, o País perde tempo ao não consolidar parcerias com vizinhos como Bolívia, Argentina e Chile, que possuem reservas de insumos minerais, continuando dependente de regiões em conflito, como Rússia e Irã.
No caso do frete interno, Barbosa cita despesas com o escoamento de cargas tanto de trigo em grão quanto de farinha por via rodoviária decorrentes da alta do diesel. “Até mesmo insumos indiretos, como aditivos e embalagens plásticas – cujos preços estão atrelados ao petróleo -, já registram altas superiores a 25%”, contou.
Barbosa cita, ainda, a alta de preços do trigo, negociado nas Bolsas de Chicago e Kansas, e a incidência de PIS/Cofins sobre o cereal importado, que anteriormente era isento, além de uma redução de 3,24% para 2,92% no crédito presumido, benefício fiscal destinado a agroindústrias e cooperativas que industrializam o grão. Para ele, novos impostos e custos operacionais elevados terão de ser administrados pela cadeia subsequente, que envolve fabricantes de massas, pães, bolos e biscoitos.
Apesar do cenário de custos apertados, o presidente da Abitrigo descartou riscos de desabastecimento. Ele vê aumento de produção de trigo no Cerrado compensando eventuais desestímulos para o plantio no Sul do País. No entanto, Barbosa ponderou que a autossuficiência brasileira ainda é um objetivo de médio prazo – o Brasil produz em geral 50% do trigo que processa. “Não teremos a autossuficiência de 13 milhões de toneladas que são necessárias para o consumo interno”, avaliou, lembrando que o País também exporta trigo e utiliza o cereal para produção de etanol.
Contato: julia.maciel@estadao.com
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